quinta-feira, 16 de julho de 2015

Os anjos dos nossos avós, num livro doce: A AVÓ ADORMECIDA


Destinado aos primeiros leitores, de preferência aos de 4 anos, este livro da Kalandraka é uma sincera homenagem aos avós, figuras fundamentais na infância de qualquer ser humano.

"Abraça-me a todo o momento e eu desaparecia em seu amor"

Esta obra evoca temas como o vínculo entre avós e netos, a doença e o desaparecimento (morte) dos entes queridos.

"A minha avó dorme. 
A minha avó dorme o dia todo. 
A minha avó dorme o dia todo, por um mês"


"A minha mãe diz que ela é como a Bela Adormecida, à espera de um príncipe encantado para lhe dar um beijo e acordá-la".

"Antes de adormecer, a minha avó andava a fazer coisas um pouco estranhas. Uma vez, quando eu regressava das compras com a minha mãe, encontrámo-la na sala, toda aperaltada, com o chapéu de flores, a dançar uma valsa"

"Uma vez o meu pai surpreendeu-a no jardim enquanto ela rasgava as flores e, quando ele lhe perguntou porque o fazia, respondeu que precisava delas para fazer sopa"

"Outra vez ainda, ela chamou-me às escondidas e perguntou-me se queria ir com ela até à lua"

...

Escrito pelo escritor e educador italiano Roberto Parmeggiani e com ilustrações do português João Vaz de Carvalho, este livro é um reviver de memórias de ambos quiseram partilhar e dedicar às suas avós.

"Quando penso na minha infância, ocorrem-me três coisas: o cheiro do pão, o mar no verão e massas com molho de tomate. Todas as três têm a ver com a minha avó. Sempre ao meio-dia, quando chegava da escola, almoçava na casa da minha avó com os meus primos. Os meus pais trabalhavam, e ela preparava, numa panela grande, massas com molho de tomate que todos comiam. Enquanto eu subia as escadas, sentia o perfume da comida que, também agora, representa para mim o perfume do lar, do acolhimento, do cuidado. Este livro fala dela e fala de mim, de quem eu era, de quem eu sou e de quem eu quero ser"
Roberto Parmeggiani

"A casa do meu avô era enorme e, no quintal, cheio de cerejeiras, fartei-me de brincar com os meus irmãos. Lembro-me dos pêssegos e das paisagens que a minha mãe ainda hoje pinta. Lembro-me da paixão do meu pai pela música, e da paixão do meu avô, que tinha a forma de uma banda. Já tarde, percebi que todas essas e outras emoções me marcariam por muito tempo. Percebi que, com trabalho, os desenhos dos lápis e as cores das tintas, conseguem propagar essas aventuras saborosas, sejam elas passadas ou de agora"
João Vaz de Carvalho

Sem comentários: