domingo, 21 de junho de 2015

Relembrando TOMAS TRANSTRÖMER, Nobel da Literatura em 2011

Tomas Tranströmer foi o autor sueco mais traduzido do mundo e recebeu em 2011, o Prémio Nobel da Literatura. Teve as suas obras traduzidas em mais de 40 línguas.


Nascido em Estocolmo em 1931, foi tido como um dos melhores poetas do mundo. 
A sua paixão pela poesia teve início quando era ainda criança. Começou a escrever, frequentava ele o ensino básico, quando viu alguns dos seus trabalhos serem publicados em jornais.
Estudou Psicologia na Universidade de Estocolmo, mas nunca deixou de escrever. 
"Janelas e Pedras" foi um dos livros mais marcantes que escreveu, pelas metáforas que utilizou para escrever os mistérios da mente humana e as viagens que fez durante esse período de tempo.

E por falar em viagens, Tomas Trantrömer falou muito sobre Lisboa e o Funchal, nas suas obras.

António Neves, Elétrico na Estrela, Lisboa, Acrílico, 50x140


Fica aqui este poema intitulado "Lisboa" escrito em 1987.


Lisboa


No bairro de Alfama os eléctricos amarelos cantavam nas calçadas íngremes. 
Havia lá duas cadeias. Uma era para ladrões. 
Acenavam através das grades. 
Gritavam que lhes tirassem o retrato.

"Mas aqui!", disse o condutor e riu à socapa como se cortado ao meio,
"aqui estão políticos". Vi a fachada, a fachada, a fachada 
e lá no cimo um homem à janela, 
tinha um óculo e olhava para o mar. 

Roupa branca no azul. Os muros quentes. 
As moscas liam cartas microscópicas. 
Seis anos mais tarde perguntei a uma senhora de Lisboa: 
"será verdade ou só um sonho meu?" 


Tomas Tranströmer, in "21 poetas secretos", 1987, Vega.

António Neves, Elétrico - Lisboa, Acrílico, 75x55


Faleceu este ano, a 26 de março, com 83 anos, depois de há 25 anos ter sofrido um AVC que lhe paralisou parcialmente. As suas mãos deixaram de ter a mesma destreza, mas nunca deixou de escrever. A par da grande vontade de escrever, tinha a paixão pela música. Após o AVC, tocava o seu piano todos os dias com a mão esquerda, porque a direita estava paralisada.

Fica ainda aqui um dos treze poemas dele, que foi lido durante a aceitação do Prémio Nobel, nalguns casos com a música a acompanhar (Wagner, Schubert e compositores suecos. Fica este para sua homenagem:

MEMÓRIAS, OLHEM PARA MIM
Manhã de Junho, demasiado cedo para acordar,
demasiado tarde para adormecer de novo.

Tenho de sair – a paisagem verde é densa
de memórias, elas seguem-me com o olhar.

Não podem ser vistas, confundem-se completamente
com o cenário, são verdadeiros camaleões.

Estão tão próximas que consigo ouvir a sua respiração
embora aqui o cantar dos pássaros seja ensurdecedor.

Sem comentários: