sexta-feira, 26 de junho de 2015

O LIVRO DO PEDRO (MARIA DOS 7 AOS 8)

Esta obra, vocacionada para a infância, retrata um novo modelo de família. É um excelente livro da ilustradora e escritora Manuela Bacelar, que conta a história do nascimento próximo de uma criança, filha de Maria. É o mote que dá azo a "O Livro do Pedro (Maria dos 7 aos 8)".



Trata-se de uma obra que, narra, num registo autobiográfico, a infância de uma criança, num período em que vive com os seus dois pais: Pedro e Paulo.



Tal como qualquer criança dessa faixa etária, também Maria convive regularmente com os seus primos, em casa da sua avó, estuda numa escola onde, para além da professora, tem muitos amigos, recebe-os em sua casa, vive o dia-a-dia familiar, com toda a naturalidade, carinho e profunda afeição por parte dos seus pais adotivos, Pedro e Paulo.


Agora que cresceu, e vai ser novamente mãe, Maria conta à sua filha a história da sua vida e, uma vez nascido o irmão, será a filha que irá, por sua vez, contar ao irmão esta meta-narrativa em que a protagonista foi a sua mãe.

terça-feira, 23 de junho de 2015

Em NOITE DE S. JOÃO, um poema de ALBERTO CAEIRO: NOITE DE S. JOÃO

  


Noite de São João para além do muro do meu quintal 

Do lado de cá, eu sem noite de São João.
Porque há São João onde o festejam.
Para mim há uma sombra de luz de fogueiras na noite,
Um ruído de gargalhadas, os baques dos saltos.
E um grito casual de quem não sabe que eu existo.

(Em 12-4-1919, Poemas Inconjuntos. Poemas de Alberto Caeiro. Fernando Pessoa, 1946 )

domingo, 21 de junho de 2015

Relembrando TOMAS TRANSTRÖMER, Nobel da Literatura em 2011

Tomas Tranströmer foi o autor sueco mais traduzido do mundo e recebeu em 2011, o Prémio Nobel da Literatura. Teve as suas obras traduzidas em mais de 40 línguas.


Nascido em Estocolmo em 1931, foi tido como um dos melhores poetas do mundo. 
A sua paixão pela poesia teve início quando era ainda criança. Começou a escrever, frequentava ele o ensino básico, quando viu alguns dos seus trabalhos serem publicados em jornais.
Estudou Psicologia na Universidade de Estocolmo, mas nunca deixou de escrever. 
"Janelas e Pedras" foi um dos livros mais marcantes que escreveu, pelas metáforas que utilizou para escrever os mistérios da mente humana e as viagens que fez durante esse período de tempo.

E por falar em viagens, Tomas Trantrömer falou muito sobre Lisboa e o Funchal, nas suas obras.

António Neves, Elétrico na Estrela, Lisboa, Acrílico, 50x140


Fica aqui este poema intitulado "Lisboa" escrito em 1987.


Lisboa


No bairro de Alfama os eléctricos amarelos cantavam nas calçadas íngremes. 
Havia lá duas cadeias. Uma era para ladrões. 
Acenavam através das grades. 
Gritavam que lhes tirassem o retrato.

"Mas aqui!", disse o condutor e riu à socapa como se cortado ao meio,
"aqui estão políticos". Vi a fachada, a fachada, a fachada 
e lá no cimo um homem à janela, 
tinha um óculo e olhava para o mar. 

Roupa branca no azul. Os muros quentes. 
As moscas liam cartas microscópicas. 
Seis anos mais tarde perguntei a uma senhora de Lisboa: 
"será verdade ou só um sonho meu?" 


Tomas Tranströmer, in "21 poetas secretos", 1987, Vega.

António Neves, Elétrico - Lisboa, Acrílico, 75x55


Faleceu este ano, a 26 de março, com 83 anos, depois de há 25 anos ter sofrido um AVC que lhe paralisou parcialmente. As suas mãos deixaram de ter a mesma destreza, mas nunca deixou de escrever. A par da grande vontade de escrever, tinha a paixão pela música. Após o AVC, tocava o seu piano todos os dias com a mão esquerda, porque a direita estava paralisada.

Fica ainda aqui um dos treze poemas dele, que foi lido durante a aceitação do Prémio Nobel, nalguns casos com a música a acompanhar (Wagner, Schubert e compositores suecos. Fica este para sua homenagem:

MEMÓRIAS, OLHEM PARA MIM
Manhã de Junho, demasiado cedo para acordar,
demasiado tarde para adormecer de novo.

Tenho de sair – a paisagem verde é densa
de memórias, elas seguem-me com o olhar.

Não podem ser vistas, confundem-se completamente
com o cenário, são verdadeiros camaleões.

Estão tão próximas que consigo ouvir a sua respiração
embora aqui o cantar dos pássaros seja ensurdecedor.

sexta-feira, 19 de junho de 2015

HÁ 130 ANOS CHEGAVA A NOVA IORQUE, A ESTÁTUA DA LIBERDADE

Foi em 1885, exatamente no dia 19 de junho, que chegou a Nova Iorque a Estátua da Liberdade oferecida pela França de Napoleão III, para comemorar os 100 anos da assinatura da Declaração da Independência dos Estados Unidos.


Foi projetada e construída pelo escultor Alsaciano Frédéric Auguste Bartholdi, que se baseou no Colosso de Rodes para edificá-la. Desde logo calculou que seriam necessários cerca de 400 000 dólares para a construir.

Trabalhadores montando a estátua

Para a construção da estrutura metálica interna da estátua, Bartholdi contou com a assistência do engenheiro francês Gustave Eiffel. 

Os últimos retoques na tocha

Construção do rosto

A estátua tem de altura 92,9 metros, sem contar com o pedestal.
A estátua foi primeiramente montada em solo francês e ficou pronta em 1884, 

Parte superior da estátua montada

Montagem da Estátua da Liberdade

sendo então desmontada e enviada para os Estados Unidos em navios, para ser remontada na Ilha de Bedloe (mais tarde Ilha da Liberdade) em Nova Iorque. 

Construção do pedestal

A construção do pedestal ficou a cargo dos norte-americanos. 

Últimos detalhes para a inauguração da estátua

Funcionou como farol de 1886 a 1902, tendo sido pioneiro na utilização elétrica dentre os faróis, pois que, até à altura utilizavam-se tochas.

Inauguração da estátua.

quinta-feira, 18 de junho de 2015

PRÉMIO CAMÕES PARA A ESCRITORA HÉLIA CORREIA, A MENINA DOS GATOS

"O que é que eu faço agora? Estava aqui tão quietinha ..." eis a reação de Hélia Correia ao saber-se ontem, 17 de junho, vencedora do Prémio Camões 2015.



Quando falamos de Hélia Correia, falamos de uma excelente romancista e vem-nos à memória um dos romances mais belos escritos até hoje: Lillias Frazer.



Maria Teresa Horta chega a dizer, a propósito deste romance: "É uma coisa de tirar fôlego!"

Nascida em Lisboa, em 1949, Hélia Correia é uma das principais representantes da que é conhecida como a "Geração de 80" graças à sua prosa, que a levou a ser uma das escritoras de maior destaque em língua portuguesa das últimas décadas. Apesar de se ter destacado principalmente com a prosa, a autora deu os primeiros passos literários no âmbito da poesia, o que a levou a publicar dois livros de poemas no início da carreira: "O separar das águas" (1981) e "O número dos vivos" (1982).
De entre as suas obras mais destacadas estão os romances. Para além de Lillias Frazer, estão ainda: "Soma" (1987) e a "Casa Eterna" (1991).

A autora foi escolhida de maneira unânime pelo júri, composto pelos escritores Pedro Mexia, Mia Couto, Affonso Romano de Sant´Anna e Antônio Carlos Secchin, e pelas professoras universitárias Rita Marnoto e Inocência Mata.

JOSÉ SARAMAGO, NOS 5 ANOS DA MORTE DO NOBEL PORTUGUÊS

José Saramago tinha uma definição muito simples da morte, para ele morrer era não estar. 


Com Pilar (sua mulher e musa), em Lanzarote

Hoje completam-se 5 anos desde que lhe dissemos adeus. Mas continuamos a senti-lo tão próximo que, para nós, José Saramago ainda está, porque a sua obra continua a ser lida e reinterpretada.
Uma foto de João Francisco Vilhena, onde se pode ver duas mãos abertas cheias de areia escura de Lanzarote, veio servir de mote à evocação de José Saramago.



Foi em Lanzarote, esta ilha do arquipélago da Canárias, que residiu nos últimos 18 anos da sua vida. Aqui, quase reencontrou a Azinhaga da sua infância. O Prémio Nobel português gostava de fazer caminhadas pisando a cinza dos vulcões e no jardim plantou oliveiras. Todas as tardes saía para dar um passeio. Gostava de o fazer porque ia pensando à medida que caminhava.
Costumava dizer, a propósito de Lanzarote: "Lanzarote sin ser mi tierra, es tierra mia". 
E, na verdade, foi em Lanzarote que foi feliz, que escreve e publica todos "Cadernos de Lanzarote", "O Ensaio sobre a Cegueira", "Todos os Nomes", "O Conto da Ilha Desconhecida", "A Maior Flor do Mundo", "O Homem Duplicado", "O Ensaio sobre a Lucidez", "Don Giovanni ou o Dissoluto Absolvido", "As Intermitências da Morte", "As Pequenas Memórias", "A Viagem do Elefante" ...além de receber aqui, a notícia de que tinha ganho o Prémio Nobel da Literatura.


E a esse respeito fica aqui uma parte do discurso pronunciado a 7 de dezembro de 1998, na Academia Sueca.

"O homem mais sábio que conheci em toda a minha vida não sabia ler nem escrever. Às quatro da madrugada, quando a promessa de um novo dia ainda vinha em terras de França, levantava-se da enxerga e saía para o campo, levando ao pasto a meia dúzia de porcas de cuja fertilidade se alimentavam ele e a mulher. Viviam desta escassez os meus avós maternos, da pequena criação de porcos que, depois do desmame, eram vendidos aos vizinhos da aldeia, Azinhaga de seu nome, na província do Ribatejo. Chamavam-se Jerónimo Melrinho e Josefa Caixinha esses avós, e eram analfabetos um e outro. No Inverno, quando o frio da noite apertava ao ponto de a água dos cântaros gelar dentro da casa, iam buscar às pocilgas os bácoros mais débeis e levavam-nos para a sua cama. Debaixo das mantas grosseiras, o calor dos humanos livrava os animalzinhos do enregelamento e salvava-os de uma morte certa. Ainda que fossem gente de bom carácter, não era por primores de alma compassiva que os dois velhos assim procediam: o que os preocupava, sem sentimentalismos nem retóricas, era proteger o seu ganha-pão, com a naturalidade de quem, para manter a vida, não aprendeu a pensar mais do que o indispensável. Ajudei muitas vezes este meu avô Jerónimo nas suas andanças de pastor, cavei muitas vezes a terra do quintal anexo à casa e cortei lenha para o lume, muitas vezes, dando voltas e voltas à grande roda de ferro que accionava a bomba, fiz subir a água do poço comunitário e a transportei ao ombro, muitas vezes, às escondidas dos guardas das searas, fui com a minha avó, também pela madrugada, munidos de ancinho, panal e corda, a recolher nos restolhos a palha solta que depois haveria de servir para a cama do gado. E algunas vezes, em noites quentes de Verão, depois da ceia, meu avô me disse: "José, hoje vamos dormir os dois debaixo da figueira." Havia outras duas figueiras, mas aquela, certamente por ser a maior, por ser a mais antiga, por ser a de sempre, era, para todas as pessoas da casa, a figueira. Mais ou menos por antonomásia, palavra erudita que só muitos anos depois viria a conhecer e a saber o que significava... No meio da paz nocturna, entre os ramos altos da árvore, uma estrela aparecia-me, e depois, lentamente, escondia-se por trás de uma folha, e, olhando eu noutra direcção, tal como um rio correndo em silêncio pelo céu côncavo, surgia a claridade opalescente da Via Láctea, o Caminho de Santiago, como ainda lhe chamávamos na aldeia. Enquanto o sono não chegava, a noite povoava-se com as histórias e os casos que o meu avô ia contando: lendas, aparições, assombros, episódios singulares, mortes antigas, zaragatas de pau e pedra, palavras de antepassados, um incansável rumor de memórias que me mantinha desperto, ao mesmo tempo que suavemente me acalentava."

RECEITA de JOSÉ SARAMAGO

RECEITA

Tome-se um poeta não cansado,
Uma nuvem de sonho e uma flor,
Três gotas de tristeza, um tom dourado,
Uma veia sangrando de pavor.
Quando a massa já ferve e se retorce
Deita-se a luz de um corpo de mulher,
De uma pitada de morte se reforce,
Que um amor de poeta assim requer.

José Saramago
in Os Poemas Possíveis, 1966

sábado, 13 de junho de 2015

12 de JUNHO NA BIBLIOTECA - DIA DO AGRUPAMENTO - PEDRO E O LOBO, DE PROKOFIEV

De entre as inúmeras atividades realizadas na nossa escola, destacamos aqui as que foram realizadas na biblioteca: visualização de uma curta metragem musical, da famosa história "O Pedro e o Lobo" de Serguei Prokofiev, de 1936 e a encenação da "História da carochinha" pelos "nossos avós" do Lar de Ouca.
Mas, comecemos pela fantástica obra de Prokofiev.



"Pedro e o Lobo" de Prokofiev, não é mais que uma "fábula musical" que conta a história de um menino que ao desobedecer às ordens do avô, enfrenta e captura o lobo que aterroriza a região.


Todos personagens são representados por diversos instrumentos musicais: o Pedro pelas cordas, o lobo pelas trompas, o avô pelo fagote, os pássaros por flautas, o pato por oboé, o gato por clarinete e os caçadores pela percussão (tímpanos).



Sendo contada através da música e tendo como objetivo pedagógico mostrar aos alunos as sonoridades dos diversos instrumentos e aproximá-los da música clássica, conseguiu-se que, pela leveza da peça, estivessem concentrados e conseguissem entender esta maravilhosa "linguagem", que é a música.


O som já nasce da natureza, com o vento que sopra nas árvores, os trovões, a fala dos animais. A música já vem desde os primórdios com o canto dos pássaros. O homem aos poucos vai procurando conversar com a natureza e, ao tentar imitá-la, cria os seus primeiros instrumentos.


Ela em si, facilita e promove a comunicação e o relacionamento. Ao mesmo tempo reabilita e apazigua. Os grupos do primeiro ciclo que vieram até aqui, revelaram-se, de uma forma geral, interessados e a aposta resultou.


Obrigado a todos pela visita.

12 de JUNHO NA BIBLIOTECA - DIA DO AGRUPAMENTO - HISTÓRIA DA CAROCHINHA

Era uma vez uma linda carochinha que queria casar mas não tinha dinheiro!



E esta história começa exatamente assim! A única diferença é que os personagens da história são muito mais interessantes que o da velhinha história da carochinha. São o boi, o burro, o porco, o elefante, o cão, o galo, o leão, o rato e o gato, mas acabadinhos de chegar do Centro Social e Bem Estar de Ouca
E que giros que são! Gente de garra capaz de encenar imensas vezes sem se cansarem. Vejam como foi MARAVILHOSO e não nos venham dizer que é uma narrativa curta! 
Ah! E perguntem aos meninos do pré-escolar e do 1º ciclo se gostaram. Bem, nós sabemos que eles adoraram e riram-se do princípio ao fim.

"Estava a Carochinha a varrer a cozinha e encontrou moedas de oiro.

Toda contente foi comprar um vestido novo e pôs-se a cantar à janela.

Apareceu o boi ...muh, muh, muh. Mas a Carochinha não aceitou.

- Eu sou o burro e faço ...em ó, em ó, em ó. 
- Cantas muito mal, burro! Contigo é que eu não quero casar!

- E sabes cantar para me alegrar?
- rnhoc, rnhoc, rnhoc ...

Olhem este elefante simpático vindo "do Mónaco"!

Que cãozinho tão humilde! Como pôde a Carochinha dizer "não"?

Que "postura" de galo! 

- Credo! Vai-te embora bicho leão!

- És muito bonita, mas arranhas muito!

- Sou o João Ratão, simpático e brincalhão ...
- E sabes cantar para me alegrar?
- Claro que sim, minha linda Carochinha ...ih, ih, ih

- Não mexas na panela... não sejas guloso!

- Ai que desgraça! O meu João caiu no caldeirão.

Meninos do 1º ciclo de Soza e Vagos

Cada criança escolheu o seu ator favorito

Os meninos do pré-escolar de Ouca. 

Meninos do pré-escolar de Cabecinhas e Calvão

Hora de cantar aos nossos famosos atores

Hora merecida do lanche
À direita: Isabel Coutinho, Mário Merendeiro, Fátima Tuca, Fernando Espadilha e Jorge (Xico) 

À esquerda: Armando Gadelho, Maria Freire (Micas), Gabriela Silveira e Carminda Santos

Obrigado por terem vindo. Como são importantes na nossa comunidade! Vocês trouxeram a temperança, a frugalidade e o saber que só os anos da vida podem dar. A tal sapiência mágica!

segunda-feira, 8 de junho de 2015

A nova "HISTÓRIA DA CAROCHINHA" contada pelos alunos da EB1 da Vigia

     Os meninos e meninas do 3º ano da sala da professora Teresa Pinho, da Escola do Primeiro Ciclo da Vigia, resolveram contar uma versão diferente da tradicional e conhecida "História da Carochinha".
     Enfim, os tempos mudam e as histórias também se adaptam à realidade dos nossos dias. E vejam como ficou giríssima!

E assim ficou a história:

     Certo dia, uma linda Carochinha foi a um Centro Comercial e viu um vestido muito bonito numa montra.
     Como era muito vaidosa, achou logo que aquele vestido lhe iria ficar muito bem. Decidiu, então, entrar na loja para o experimentar. Ao ver-se ao espelho, exclamou baixinho:
     - Oh! Que bonita eu estou! Fica-me mesmo bem!
     Mas, ao ver o preço, assustou-se. O vestido custava uma fortuna. E, como todos os bichos, bichinhos e bicharocos, também a nossa amiga Carochinha estava em crise.
     O que fazer? Qual seria a solução? Estava farta daquela vida:

"Poupar, poupar, poupar...
e não ter dinheiro 
para nada comprar!" 

     Resolveu nesse mesmo instante, arranjar um marido rico, que pudesse comprar-lhe todos os vestidos que ela quisesse, as jóias que mais gostasse e a levasse a viajar por lugares maravilhosos.


     Como a lista de pretendentes era muito grande, a Carochinha começou a chamar um a um, para os conhecer melhor. Sim porque a Carochinha sabia que o casamento não é uma brincadeira, é para durar.

     O primeiro a ser chamado foi o Gafanhoto João.


     - João, quanto ganhas por mês? O teu emprego é seguro?
     - Não te preocupes, sou cantor e sou muito popular! Ganho muito dinheiro!
     - E terás tempo para mim, ou andarás sempre em espetáculos? - perguntou a Carochinha preocupada.
     - Para ser sincero contigo, não terei assim tanto tempo! mas sempre podemos tentar.
     - Os teus espetáculos são de dia ou de noite? E eu, ficarei em casa, sozinha, com medo?

     A Carochinha, muito triste, decidiu não aceitar. Mandou então chamar o Grilo Gabriel.

     - Gabriel, quanto ganhas por mês? O teu emprego é seguro?
     - Não te preocupes, sou bombeiro e muito corajoso! Ganho é muito pouco dinheiro!
     - Mas se morreres num incêndio eu irei ficar com uma pensão muito pequena! Não conseguirei sobreviver!

     Desanimada resolveu chamar o terceiro pretendente, Zé Zangão.


     - Zé, quanto ganhas por mês? O teu emprego é seguro?
     - Não te preocupes, sou polícia e prendo muitos criminosos! Não ganho uma fortuna!
     - Polícia! Deus me livre! Ainda ontem ouvi na televisão que morreram quatro a perseguir criminosos!

     E lá veio o quarto pretendente! Era o André, o Aranhão.


     - André, quanto ganhas por mês? O teu emprego é seguro?
     - Não te preocupes, sou construtor e tenho uma pequena fortuna!
     - Construtor?! Ainda te cai alguma coisa em cima e eu fico sem marido!
     E a Carochinha começou a lamentar a sua sorte:

"Começo a desesperar,
não encontro marido
que me possa alegrar"

     E eis que chega o Mosquito Miguel.


     - Miguel quanto ganhas por mês? O teu emprego é seguro?
     - Não te preocupes, sou mineiro e tenho muito ouro e diamantes.
     - É este! - pensou a Carochinha. Finalmente encontrei o chinelo para o meu pé! Mas, se ele trabalha debaixo da terra, vai chegar todos os dias a casa muito sujo. Além disso, vem muito cansado e não vai querer acompanhar-me às festas!

     Mais uma vez a Carochinha não aceitou aquele pretendente.
     E lá veio o sexto pretendente. Era o Pirilampo Paulino, dono de uma central elétrica.


     - Paulino, quanto ganhas por mês? O teu emprego é seguro?
     - Dinheiro não me falta! Trabalho também não! Esteja triste ou contente, brilho em toda a ocasião!
     A Carochinha nem queria acreditar. Seria este o marido da sua vida. Bonito, elegante e luminoso. Com ele, os seus vestidos e jóias tornar-se-iam mais brilhantes. Eles seriam sempre convidados para todas as festas.


     E foi assim que se começaram a organizar os preparativos para o casamento. Foram convidados os familiares e amigos de Paulino; foram convidados os familiares e amigos da Carochinha; e são vocês todos convidados a lerem esta maravilhosa história e a dar-lhes continuidade se assim o entenderem! 

Parabéns pelo excelente trabalho! Beijinhos a todos