terça-feira, 19 de maio de 2015

MÁRIO DE SÁ CARNEIRO, 125 ANOS DEPOIS DO SEU NASCIMENTO

Mário de Sá-Carneiro nasceu a 19 de maio de 1890 em Lisboa. 
Depois da morte da sua mãe ficou na Quinta de Camarate, ao cuidado dos avós e tornou-se o centro dos cuidados e préstimos de toda a família.



Em 1911 foi para Coimbra onde se matriculou na Faculdade de Direito e conheceu Fernando Pessoa. Ele introduziu-o no círculo dos futuros modernistas.
Em outubro de 1912 partiu para Paris com uma mesada paterna da qual viveu. Cedo deixou de frequentar as aulas e dedicou-se à vida boémia e à literatura. Frequentava cafés e salas de espectáculo. Apaixonou-se pela cidade de Paris. Na capital francesa conheceu também Guilherme de Santa-Rita (Santa Rita Pintor).
Inadaptado socialmente e psicologicamente instável, foi neste ambiente que compôs grande parte da sua obra poética e a correspondência com o seu confidente Pessoa.
Entre 1913 e 1914 veio a Lisboa com uma certa regularidade, devido ao início da Primeira Guerra Mundial, com uma breve passagem por Espanha. Com Pessoa e ainda com Almada Negreiros integrou o primeiro grupo modernista português, sendo responsável pela edição da revista literária Orfeu.



Em Julho de 1915 regressou a Paris, escrevendo a Pessoa cartas de uma crescente angústia, das quais ressalta não apenas a imagem lancinante de um homem perdido no labirinto de si próprio, mas também a evolução e maturidade do processo de escrita de Mário de Sá Carneiro.


Primeiro alarme de suicídio escrito a Pessoa

Uma vez que a vida que passava não lhe agradava, e aquela que idealizava tardava em se concretizar, Sá Carneiro entrou numa cada vez maior angústia, que viria a conduzi-lo ao seu suicídio prematuro, perpetrado no Hôtel de Nice, no bairro de Montmartre em Paris, com o recurso a cinco frascos de arseniato de estricnina em 26 de abril de 1916.

Mário de Sá Carneiro foi um dos responsáveis pelo Modernismo Português, foi por meio dos seus esforços e os de Fernando Pessoa, que o Modernismo se pôde divulgar em Portugal.

O Modernismo Português é um movimento estético de vanguarda iniciado e impulsionado pela Geração Orfeu (da segunda década do século XX), no qual a literatura apareceu associada às artes plásticas e por elas influenciada. Este movimento surgiu primeiro como imperativo de levar a poesia a trilhar em Portugal os caminhos ousados e originais por onde ela seguia já no resto da Europa.


Fernando Pessoa, Mário de Sá-Carneiro, Almada Negreiros, Raúl Leal, Côrtes-Rodrigues, António Ferro, Alfredo Guisado, Luís de Montalvor, Santa-Rita Pintor, Amadeu de Souza Cardoso e Ronald de Carvalho

Em fins de março de 1915, com efeito, apareceu a sonhada revista, a que deram o nome de Orfeu. Nela vinham à luz pública, de mistura com alguma prosa doutrinária de estética, vários poemas a oscilar entre o estilo decadentista e os inovadores estilos.
Desde a capa ao conteúdo, a revista escandalizou o público. Os críticos acusaram os novos poetas de banda de alienados e mistificadores a invadir os textos nacionais.
Nestas publicações colaboraram , entre outros, Luís de Montalvor, Mário de Sá Carneiro, Ronald de Carvalho, Fernando Pessoa, Alfredo Guisado, 


Luís de Montalvor e Fernando Pessoa

Almada Negreiros, Ângelo de Lima, Raúl Leal, Armando Cortes-Rodrigues, Albino de Meneses, Augusto Ferreira Gomes. D. Thomaz de Almeida, Castelo de Morais, Gil Vaz, Mendes de Brito, Carlos Franco, Ponce de Leão, Vitoriano Braga, ...

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