terça-feira, 5 de maio de 2015

5 de maio - DIA DA LÍNGUA PORTUGUESA E DA CULTURA NA CPLP

Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) é uma organização internacional formada por países lusófonos, que pretende aprofundar a amizade mútua e a cooperação entre os seus membros: Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné Bissau, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe, Timor-Leste e Guiné Equatorial.


Além dos membros plenos e efetivos, há seis observadores associados que são: a Geórgia, o Japão, a República da Maurícia, a República da Namíbia, a República do Senegal e a República da Turquia. Três localizados no continente africano, dois no continente asiático e um transcontinental entre os continentes asiático e europeu.
Esta organização promove a data de 5 de maio como Dia da Língua Portuguesa e da Cultura, celebrado em todo o espaço lusófono. 

Fica aqui... 
um poema de Mia Couto, escritor moçambicano.

Para Ti

Foi para ti
que desfolhei a chuva
para ti soltei o perfume da terra
toquei no nada
e para ti foi tudo

Para ti criei todas as palavras
e todas me faltaram
no minuto em que talhei
o sabor do sempre

Para ti dei voz
às minhas mãos
abri os gomos do tempo
assaltei o mundo
e pensei que tudo estava em nós
nesse doce engano
de tudo sermos donos
sem nada termos
simplesmente porque era de noite
e não dormíamos
eu descia em teu peito
para me procurar
e antes que a escuridão
nos cingisse a cintura
ficávamos nos olhos
vivendo de um só
amando de uma só vida

Mia Couto, in "Raiz de Orvalho e Outros Poemas"

E, um poema de Valter Hugo Mãe, escritor angolano.

Modo de amar
prometo ser-te fiel se mo fores
também, não é certo que mo venhas a
ser. por isso, já to perdoo

prefiro partir assim para o resto da
vida. assim, com os olhos abertos à
frustração e talvez à vulnerabilidade

não prevejo nada em concreto, acredita,
não tenho olhos para outras moças,
só o digo assim por ser verdade

que tarde ou cedo havemos de encontrar
nos outros motivos de inusitado
interesse, e depois, pergunto,

vale mais que acordemos um amor
sobreposto ao futuro, um amor agora
que tenha conhecimento do futuro

e não esperar mais nada senão
a verdade. a decadente verdade que
chega já depois dos primeiros beijos

Valter hugo mãe, in 'contabilidade' 

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