sábado, 18 de abril de 2015

SENHAS DO 25 de ABRIL: 2ª SENHA

A segunda senha para a continuação do golpe foi dada pela canção "Grândola Vila Morena" de José Afonso, gravada por Leite de Vasconcelos e posta no ar por Manuel Tomás, no programa Limite da Rádio Renascença, à meia noite e vinte, sendo antecedida pela leitura da sua primeira quadra.



  • «Foi o capitão de fragata Almada Contreiras, (…), quem teve a ideia de se usar a canção Grândola, Vila Morena, da autoria de José Afonso (1929-1987) como senha radiofónica para o início das operações no dia 25 de Abril. Tinha-se primeiro pensado numa outra composição de José Afonso, eventualmente mais revolucionária, Venham Mais Cinco, mas Carlos Albino, jornalista do República e responsável pelo programa de rádio Limite, da Rádio Renascença, informou de que tal não seria possível, porque a canção estava proibida pela censura interna dessa estação de rádio. Almeida Contreiras sugeriu então que se passasse Grândola, Vila Morena, cujo texto salientava os valores da igualdade e da fraternidade. A proposta foi aceite e às 0h20 do dia 25 de Abril Grândola, Vila Morena ouviu-se no programa Limite, uma produção independente diariamente apresentada na emissora católica Rádio Renascença.» 
in Centro de Língua Portuguesa em Hamburgo: núcleos temáticos: 25 de Abril (Instituto Camões)

.... . ....

Grândola Vila Morena foi composta como homenagem à "Sociedade Musical Fraternidade Operária Grandolense", onde no dia 17 de maio de 1964, Zeca Afonso actuou.
Depois fez-se a leitura de poemas da autoria de Carlos Albino, jornalista do República e colaborador naquele programa, que, a pedido de Álvaro Guerra e do comandante Almada Contreiras, tinha ficado incumbido de enviar senhas para sincronizar o golpe do MFA.

.... . ....

Zeca Afonso

Grandola Vila Morena

Grândola, vila morena 
Terra da fraternidade 
O povo é quem mais ordena 
Dentro de ti, ó cidade 

Dentro de ti, ó cidade 
O povo é quem mais ordena 
Terra da fraternidade 
Grândola, vila morena 

Em cada esquina um amigo 
Em cada rosto igualdade 
Grândola, vila morena 
Terra da fraternidade 

Terra da fraternidade 
Grândola, vila morena 
Em cada rosto igualdade 
O povo é quem mais ordena 

À sombra duma azinheira 
Que já não sabia a idade 
Jurei ter por companheira 
Grândola a tua vontade 

Grândola a tua vontade 
Jurei ter por companheira 
À sombra duma azinheira 
Que já não sabia a idade

Sem comentários: