segunda-feira, 13 de abril de 2015

Há 169 anos nascia o Teatro Nacional D. Maria II, em Lisboa.

"Teatro Nacional D. Maria IIfoi construído no mesmo lugar onde outrora se situava o Palácio da Inquisição, mais tarde o Paço dos Estaus e por fim o Palácio da Regência tendo sido destruído pelo Terramoto de 1755.


O Teatro Nacional abriu as portas  a 13 de abril de 1846, durante as comemorações do 27º aniversário de D. Maria II, (filha do Rei D. Pedro IV) de seu nome completo

D. Maria II

Maria da Glória Joana Carlota Leopoldina da Cruz Francisca Xavier de Paula Isidora Micaela Gabriela Rafaela Gonzaga de Bragança
passando por isso a exibir o seu nome na designação oficial.
Esta obra custou ao Estado quatrocentos contos de réis.
Ele é símbolo da vitória do Romantismo e do Liberalismo vigentes no século XIX.
Na sequência da revolução de 9 de setembro de 1836, Passos Manuel assume a direcção do Governo e uma das medidas que tomou nesse mesmo ano foi encarregar, por portaria régia, o escritor e deputado Almeida Garrett de pensar o teatro português em termos globais e incumbi-lo de

Almeida Garrett

apresentar "sem perda de tempo, um plano para a formação e organização de um teatro nacional, o qual, sendo uma escola de bom gosto, contribua para a civilização e aperfeiçoamento moral da nação portuguesa".

Em 1842 dar-se-ia o início das obras do imóvel exactamente no topo norte da Praça do Rossio.

Projecto de Lodi

Este belo imóvel foi arquitectado pelo italiano Fortunato Lodi, sendo modelada e esculpida toda a fachada e frontão pelo discípulo de Machado de Castro, Francisco Assis Rodrigues.
A fachada principal do edifício sugere um templo grego, sendo guarnecida dum nobre peristilo classicizante sustentado por 6 grandes colunas jónicas e um frontão encimado com as estátuas de Gil Vicente (Pai do teatro português), de Tália (A que faz brotar flores)  e de Melpomene (A poetisa), estátuas estas só ali colocadas em 1847.

Fachada do Teatro Nacional

No interior do triângulo da fachada podemos encontrar no centro o Deus Apolo acompanhado da Lira (o ícone que o caracteriza), assumindo-se assim como Filho de Zeus, Deus dos Deuses, Deus Sol e Deus da Música.
A seu lado podemos descobrir as 7 musas de Apolo: Clio (A proclamadora), Calíope (A Bela Voz), Polímnia (A de muitos Hinos), Urânia (A Celestial), Euterpe (A Doadora de Prazeres), Terpsícore (A Rodopiante) e Erato (A Amável).

Na noite da sua inauguração apresentou-se a peça de Álvaro Gonçalves, "O Magriço e os Doze de Inglaterra", um original oferecido por Heliodoro de Faria Aguiar de Loureiro.

Aprovação da peça de inauguração

Durante um largo período de tempo, o Teatro Nacional foi gerido por sociedades de artistas que, por concurso, se habilitavam à sua gestão. Após a Implantação da República, passou a chamar-se "Teatro Nacional de Almeida Garrett".

Amélia Rey Colaço e Robles Monteiro em 1948

A gestão mais duradoura foi a da "Companhia Amélia Rey Colaço / Robles Monteiro", que permaneceu neste teatro de 1929 a 1966.

Preços em 1910

Preços em 1914

Foto do teatro antes do incêndio de 1964

Em 2 de dezembro de 1964 pelas quatro e vinte da madrugada, o Teatro Nacional sofre um grande incêndio que apenas poupou as paredes exteriores e a entrada do edifício. Foi nomeada uma comissão para a reconstrução imediata.

Depois do incêndio

O interior do edifício foi totalmente reconstruído respeitando o original estilo neoclássico tendo reaberto as suas portas em 11 de maio de 1978, com a apresentação do "Auto da Geração Humana", atribuído a Gil Vicente e "O Alfageme de Santarém" de Almeida Garrett.
A partir desta data voltou a chamar-se Teatro Nacional D. Maria II.

Sala de espectáculos antes do incêndio

Sala de espectáculos depois do incêndio

Sala de espectáculos nos dias de hoje

O Teatro Nacional continua ao serviço da cultura, mas está transformado em entidade pública empresarial com o nome de Teatro Nacional D. Maria II, E.P.E.

Ah! Não te esqueças, VAI AO TEATRO!

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