sexta-feira, 3 de abril de 2015

ARISTIDES DE SOUSA MENDES salvou mais de 30 000 refugiados. A maioria foram judeus.

"Quem salva uma vida salva o Mundo", este é o epitáfio escrito na sua lápide.
Aristides de Sousa Mendes do Amaral e Abranches, conhecido pelo "Schindler português",  nasceu em Cabanas de Viriato, distrito de Viseu, a 19 de julho de 1885, no seio de uma família aristocrática rural, católica e conservadora.


Em 1907, juntamente com o seu irmão gémeo, licencia-se em Direito pela Universidade de Coimbra e depois segue a carreira diplomática. Em 1908 casa com uma prima de seu nome Angelina, de quem terá 14 filhos.

Onze dos catorze filhos do casal

Em 1910 é nomeado cônsul em Demerara, na Guiana Francesa, de 1911 a 1916 em Zanzibar, em 1918 em Curitiba, no Brasil, e, neste ano, por causa das suas convicções monárquicas é castigado por Sidónio Pais. De 1921 a 1923, dirige temporariamente o Consulado de S. Francisco da Califórnia, ano em que nasce o seu décimo filho. Em 1924 será cônsul de S. Luís do Maranhão e de Porto Alegre, ambas no Brasil. Em 1927, será nomeado cônsul de Vigo.

Com a entrada de Salazar para Ministro das Finanças em 1928, um ano depois será nomeado cônsul-geral em Antuérpia, na Bélgica.
Em 1936, sendo já Salazar Presidente do Conselho de Ministros, é nomeado pelo mesmo como cônsul de Portugal em Bordéus, na França.
É a partir de 1940 que Sousa Mendes protagonizou a desobediência justa, enquanto cônsul em Bordéus.
"Não, não e não! não sou cúmplice da chacina, vou desobedecer a Salazar, vou passar os vistos e salvar os perseguidos. Tenho que salvar estas pessoas, quantas eu puder. Se estou desobedecendo ordens, prefiro estar com Deus e contra os homens, que com os homens contra Deus"
                                                                                      Aristides Sousa Mendes

A Alemanha de Hitler havia ocupado a França e a perseguição para com os judeus era cada vez mais notória. Sousa Mendes recusa acatar a proibição de Salazar de se passarem vistos a refugiados. Assim conseguiu salvar milhares de vidas antes de ser afastado do cargo, pelo ditador.

"Em 1940, dado o avanço das tropas alemãs de norte para sul, e de leste para oeste, só Portugal era a porta de saída segura para um algures a salvo dos desígnios de Hitler. Eis porque, solicitando um visto, acorriam ao Consulado de Portugal de Bordéus, inúmeros refugiados, sobretudo judeus."
                                                                             Francisco Sousa Mendes (neto)

1940 - Sousa Mendes com o rabino Krueger, em Lisboa

Contrariando as ordens de Salazar, Sousa Mendes consegue passar mais de 30 000 vistos a judeus e outras minorias perseguidas pelos nazis.

Ponte de Behoble, a ponte da liberdade, que conduzia os refugiados a Espanha

Por tal facto, Salazar condena Sousa Mendes a um ano de inatividade e depois aposenta-o sem qualquer vencimento.
Finda a II Guerra Mundial, Sousa Mendes dirige carta à Assembleia Nacional, reclamando (em vão) contra o castigo que lhe fora imposto pelo governo.
Sem dinheiro, Sousa Mendes passa a ser socorrido pelo irmão e pela comunidade judia portuguesa. Do recheado solar da família em Cabanas de Viriato, tudo ia sendo vendido. 
No dia 3 de abril de 1954, Sousa Mendes morreu de uma trombose cerebral e de uma pneumonia, no Hospital da Ordem Terceira, em Lisboa.

"Ter-se-ia de esperar 34 anos para que Aristides Sousa Mendes fosse justamente reintegrado e louvado oficialmente em Portugal: Em 1988 na Assembleia da República, o Dr. Jaime Gama do Partido Socialista pediu a reabilitação e integração póstuma de Aristides no corpo diplomático, o que foi concedido por unanimidade pelos partidos com assento na altura. 
Desde 1993 Aristides é o único português que faz parte dos "Righteous Among the Nations", no Yad Vashem Memorial em Israel."
                                                                         Francisco Sousa Mendes (neto)

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