terça-feira, 10 de março de 2015

Há 88 anos nasceu a revista PRESENÇA - Folha de Arte e Crítica (10.03.1927)

O Primeiro número

No n.°1, na primeira página, José Régio publicou o texto "Literatura Viva". Defende nesse texto que "Em arte, é vivo tudo o que é original. É original tudo o que provém da parte mais virgem, mais verdadeira e mais íntima duma personalidade artística", pelo que, "A primeira condição duma obra viva é pois ter uma personalidade e obedecer-lhe"

A publicação PRESENÇA - Folha de Arte e Crítica, foi umas das mais influentes revistas literárias do século XX. Foi lançada em Coimbra a 10 de março de 1927 e durou até fevereiro de 1940.
Editada sob a direcção de José Régio, Branquinho da Fonseca e João Gaspar Simões, em duas séries: a primeira, entre 1927 e 1939, com cinquenta e três números, e a segunda com apenas dois números, entre 1939 e 1940.
Em 1977, saiu um número especial, comemorativo do cinquentenário do seu lançamento.

José Régio, um dos fundadores da "Presença"

Distinguindo-se por um cuidadoso grafismo, enriquecido com reproduções de trabalhos de Almeida, Sarah Afonso, Mário Eloy, Júlio, Dórdio Gomes, entre outros, a Presença recebeu colaboração de José Régio, Branquinho da Fonseca, Edmundo Bettencourt, António Navarro, Carlos Queirós, Adolfo Casais Monteiro (que entra para a direcção a partir do nº 33), Miguel Torga, Alberto de Serpa, Francisco Bugalho, Saúl Dias, João Falco (Irene Lisboa), Fausto José e João Gaspar Simões, entre outros. Acolheu textos de autores do primeiro modernismo como Luís de Montalvor, Fernando Pessoa, Almada, Mário de Sá-Carneiro, Raul Leal, Ângelo de Lima, aí vindo a colaborar ainda Vitorino Nemésio, Teles Abreu (Jorge de Sena), Tomás Kim, Mário Saa, António Botto, Pedro Homem de Mello, Afonso Duarte, António de Sousa, João de Castro Osório, José Gomes Ferreira, Fernando Namora, João José Cochofel, Mário Dionísio, ou Joaquim Namorado.

João Alves, Sant´Anna Dionísio, Carlos Sanches, José Régio, Jorge de Sena, Alfredo Pereira Gomes, Adolfo Casais Monteiro e Alberto de Serpa.

Coube à Presença, entre outros méritos, o de reabilitar as propostas artísticas da geração de Orpheu (o nº 48 é dedicado a Fernando Pessoa), consagrando a modernidade literária veiculada pelos homens de 1915, e a exigência de isenção e rigor no exercício da crítica literária.
Ao mesmo tempo a Presença desempenhou um papel cultural determinante na divulgação de autores estrangeiros, como Proust, Gide, Pirandello, Dostoievsky, Ibsen, ou os brasileiros Jorge Amado, José Lins do Rego, Cecília de Meireles, Ribeiro Couto e Jorge de Lima.

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