sábado, 14 de fevereiro de 2015

Cartas de amor de Napoleão, Pessoa e Ofélia

Carta de amor de Napoleão a Josefina (19.5.1796)
"Meu amor, não sei por que, desde esta manhã, estou mais contente. Tenho um presentimento de que partiste para cá. Essa idéa enche-me de alegria. Se passares pelo Piemonte, o caminho é muito melhor e mais curto. Virás a Milão, onde ficarás muito contente, porque esta região é muito bonita. Quanto a mim, isso me fará tão feliz que sou capaz de enlouquecer. Estou ansioso por ver como trazes as crianças. Deves ter um ar majestoso e respeitavel, sem duvida muito gracioso. Toma cuidado para que não fiques doente. Não, minha boa amiga, virás para aqui e passarás muito bem. Terás uma criancinha linda como a mãe e que te amará como o pae; e, quando fores velha, quando tiveres cem annos, ella será o teu consolo e a tua felicidade. Mas, de agora até que ella chegue, não ames senão a mim. Começo, já, a ter ciumes.
Adeus, "mio dolce amor"; adeus, "la bien-aimée". Vem logo ouvir a linda musica e ver a bella Italia. Só lhe falta que a vejas. Tu a embellezarás aos meus olhos, porque tu sabes que, quando a minha Josephina está em qualquer lugar, não vejo senão a ella."

Carta de amor de Fernando Pessoa a Ofélia (24.3.1920)
" Meu querido amorzinho
Hoje tenho tido immenso que fazer, quer fóra do escriptorio, quer aqui mesmo.
Vão só duas linhas, para te provar que te não esqueço - como se fôsse muito facil eu esquecer-te!
Olha: mudo de Benfica para a Estrella no dia 29 d'este mez de manhã; estive agora mesmo a combinar a mudança. Isto quer dizer que no domingo que vem nos não veremos, pois passarei o dia lá em Benfica a arrumar tudo, pois não é natural que tenha tempo para o fazer durante a semana.
Estou cansadíssimo, e ainda tenho bastante de que tratar hoje. São 5 horas e meia, segundo me diz o Osório.
Desculpa-me eu não te escrever mais, sim? Amanhã, á hora do costume nos encontraremos e fallaremos.
Adeus, amor pequenininho.
Muitos e muitos beijos do teu, sempre teu
Fernando
24.3.1920"

Resposta de Ofélia a Fernando Pessoa 
" Meu Fernandinho lindo
Tu vais perdoar o teu bebezinho escrever-te hoje a lápis, mas é-me impossível fazê-lo a tinta, e como de forma alguma queria deixar de te escrever e já passa da meia-noite não posso esperar para mais tarde porque já tenho muito soninho. E o meu querido amor, já está deitadinho? Não calculas como tenho estado hoje satisfeita! Até tenho comido melhor. Vês o que faz eu gostar tanto tanto de ti! Com que então no domingo condenas-me a não ter a alegria de te ver! Paciência. Saio com a minha irmã. Mas apesar de me não veres pensarás muito em mim? Deus queira que sim? Estás então muito cansadinho de trabalhares tanto! Coitadinho do meu amorzinho que tem tido tanta maçada por causa da casa, mas também depois descansas. 
Eu hoje ainda não falei com a minha irmã nada a nosso respeito, falo amanhã. Eu então sou amorzinho pequenino? mas olha que o meu amor por ti é bem grandinho ...
Disseste-me hoje que se eu estava habituada e gostava de divertimentos que tinha escolhido mal o homem. Mas diz meu amor, que maior divertimentos aspiro eu que não seja estar junto de ti? Viver contigo e sermos muito muito amiguinhos?! (como havemos de sê-lo). Desejosa estou eu por tão grande felicidade! Não te esqueças do retrato <<Nininho>>. Não me faças esperar muito! Amanhã lá nos encontraremos no nosso ponto de encontro. 
Mostrei o meiguinho a minha mãe, achou muita piada (...)
Adeus e nunca, nunca te esqueças do teu bebezinho, não? 
Agradeço muito os teus beijinhos - e envio-te milhares deles na impossibilidade de o fazer pessoalmente, temos que nos limitarmos a transmiti-los desta forma.
Sou e serei sempre muito tua amiguinha.
Ofélia Queiróz

Oh! Como eu queria riscar da minha vida todo o tempo que não passo junto de ti.

24-3-920 - Meia noite e meia hora"

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