quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015

As cinco versões de "O GRITO" de Edvard MUNCH



Tristezas, obsessões e frustrações pessoais ganham formas e cores em angustiantes representações, nas telas do pintor expressionista e norueguês Edvard Munch (1863 - 1944).
           

Van Gogh, com as suas técnicas e cores extraordinárias, foi um dos grandes inspiradores para os pintores expressionistas. No expressionismo, a subjetividade ganha contornos dramáticos nas pinceladas, os sentimentos ganham nova plasticidade. O amor, o medo, a solidão, o abandono, entre outros flagelos da humanidade são (re)significados sob a estética da dor e dão a noção exata de que, neste movimento, os valores emocionais sobrepõem-se aos intelectuais.
As telas de Munch foram o espaço para a manifestação das suas dores e das suas emoções. "O GRITO", famosa obra deste pintor, pintada quando tinha apenas 30 anos, é parte de uma série de 4 pinturas, e a fonte de inspiração da obra pode ser a vida pessoal do próprio pintor, educado por um pai controlador com quem teve de lidar, ainda enquanto criança, e com a morte da mãe e da irmã a que infelizmente assistiu quando tinha apenas 5 anos.
Além de todo o drama que viveu enquanto jovem, teve uma relação conflituosa com o pai e viveu uma relação com uma mulher casada que lhe trouxe mais mágoa e desespero. Teve ainda que viver com uma irmã doente mental.
No "O GRITO", ele expressou o seu inferno interior e o mal-estar que a loucura representava no seu dia a dia. O quadro representa uma pessoa num momento de profunda angústia e desespero existencial.

“Passeava com dois amigos ao pôr do sol quando
o céu ficou de súbito vermelho-sangue.
Eu parei, exausto, e inclinei-me sobre a vedação.
Havia sangue e línguas de fogo
sobre o azul-escuro do fiorde e sobre a cidade.
Os meus amigos continuaram,
mas eu fiquei ali a tremer de ansiedade
e senti o grito infinito da Natureza.”

Edvard Munch

EdvardMunch-TheScream-1893.jpg

Esta é a versão mais conhecida, pintada em 1893 em óleo e pastel sobre cartão. 
A imagem que aparece como plano de fundo é a doca de Oslofjord, em Oslo, ao pôr do sol. 
Vemos ao fundo um sol de cores quentes, em oposição ao rio azul, cor fria, que sobe no horizonte. Vemos que a figura humana também está em cores frias, como a cor da angústia e da dor, sem cabelo para mostrar um estado de saúde precário. Os elementos descritos estão tortos, à excepção da ponte e das duas figuras que estão do lado esquerdo. Tudo tremeu com o grito.                 
Esta obra encontra-se na Galeria Nacional de Oslo. 

crayon-munch-the-scream-cri-1893.jpg
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Versão que também data de 1893, feita a lápis, e que também se encontra na Galeria Nacional de Oslo

le-cri-1910.jpg

Executada em têmpera sobre cartão, em 1910, esta versão podia ser vista na Galeria Nacional de Oslo até 2004, quando foi roubada. Recuperada em 2006, a obra apresenta danos irreparáveis.

Edvard_Munch_le-cri-1895.jpg

Versão de 1895, feita em pastel sobre cartão, pertencia a uma coleção particular e em maio de 2012 foi vendida em leilão por mais de 91 milhões de euros.

Munch_The_Scream_lithography.gif

Edvard Munch criou também esta litografia em 1900. A base feita de pedra foi destruída .

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