quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

ANTÓNIO ALEIXO - poeta popular


Faz hoje 116 anos que nasceu António Aleixo, um dos poetas populares de maior relevo. Nasceu às 4 horas da manhã do dia 18 de fevereiro de 1899, em Vila Real de Santo António.
Famoso pela sua ironia e pela crítica social sempre presente nos seus versos, António Aleixo é também reconhecido pela sua simplicidade, humildade e sobretudo por sido um semi-analfabeto.
Viveu uma vida cheia de pobreza, mudanças constantes de emprego, emigração, tragédias familiares e doenças. Muito embora não seja um revoltado, António Aleixo escreve com um tom dorido. É a chaga aberta de um sofrimento íntimo, provocado por certas injustiças. É o homem que tem mulher e filhos a sustentar com o mísero ganho de meia dúzia de cautelas por semana, e vê, todos os dias ir morrendo, sem possibilidade de assistência cuidada, uma filha tuberculosa.
Do seu percurso de vida, fazem parte profissões como tecelão, guarda de polícia, servente de pedreiro (como emigrante em  França), guardador de rebanhos, cantor popular de feira em feira e finalmente cauteleiro. Chegou a ser chamado de "poeta-cauteleiro"
Mas neste homem simples, havia sempre o perfil de uma personalidade rica, vincada e conhecedora das diversas realidades da cultura e sociedade do seu tempo.
Escreveu sempre usando a métrica mais comum na língua portuguesa (heptassílabos, em pequenas composições de quatro versos, conhecidas como "quadras" ou "trovas") e, até à hora da sua morte, nunca teve a preocupação de registar as suas composições.
Morreu, com 50 anos, no dia 16 de novembro de 1949, vítima de tuberculose.

Ficam aqui algumas quadras bem conhecidas de todos nós.

Há tantos burros mandando
Em homens de inteligência
Que ás vezes fico pensando
Que a burrice é uma ciência.


Sei que pareço um ladrão
Mas há muitos que eu conheço
Que sem parecer o que são
São aquilo que eu pareço


Tu que tanto prometeste
Enquanto nada podias
Hoje que podes, esqueceste
Tudo quanto prometias


Prometem ao Zé povinho
Liberdade, lar e pão
Como se o mundo inteirinho
Não soubesse o que eles são.




Sem comentários: