segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015

28 ANOS DE SAUDADE DE ZECA AFONSO (Aveiro)


Zeca Afonso foi um grande cantor e um grande poeta português, e é essa memória que deve ficar presente e projectar-se para o futuro, vinte e oito anos depois da sua morte. 
Nascido em Aveiro ...
José Manuel Cerqueira Afonso dos Santos, viveu até aos três anos , numa casa do Largo das Cinco Bicas. Estávamos a 2 de agosto de 1929. 
Ao evocar o nascimento e a infância, Zeca refere «uma luz láctea; uma luz imanente, uma luz muito vital (...) uma larva branca».

"Luz branca. Eu não sei se isso do nascimento corresponde a um conteúdo repetido dos sonhos, ou se de facto... o que é improvável... Em princípio ninguém se lembra do acto do nascimento. Parece que cientificamente não se pode confirmar que um indivíduo que nasce tenha a percepção do seu próprio nascimento. Agora que existe uma imagem persistente, uma luz muito difusa, translúcida, e que através dessa luz figuras mal definidas que se debruçam sobre mim e sobre a minha mãe... Tenho uma vaga ideia disso. Há muitos anos que tenho essa impressão. Tudo parte de uma luz indiferenciável, uma luz que invade tudo, que me penetra por todos os lados. Tudo parte de uma luz branca. Uma luz láctea. E não é uma luz do tipo hectoplasma ou transcendental, pelo contrário, é uma luz imanente, uma luz vital, como se fosse uma película, como se fosse um banho de leite, estás a perceber? Que me mergulhasse a mim ou que mergulhasse o universo. Uma larva branca."
                                                                                Zeca Afonso

Em termos menos poéticos, digamos que nos três primeiros anos de vida, enquanto os pais vão para Angola, ele, por uma questão de saúde, ficará em Aveiro, deixado ao cuidado do tio Chico "um republicano anticlerical, anti-sidonista... um homem impoluto" e da tia Gegé. 
Viveu "na parte da cidade voltada para o realismo e para o mar", rodeado da ternura fraterna das primas e dos tios.

"Eram umas tias afáveis, (...). E tenho perfeitamente na cabeça a imagem de lugares da casa: um pátio nas traseiras. (...). Tomávamos café de cevada à noite..." "era uma cozinha enorme, com um fogão de ferro alimentado a blocos de madeira... (...)". 
                                                                              Zeca Afonso



Nesta imagem vemos José Afonso. Ao lado, o seu irmão mais velho, o João. Segue-se a sua mãe (de origem minhota) Maria das Dores Dantas Cerqueira, professora "primária" e o seu pai, Nepomuceno Afonso dos Santos, magistrado e natural do Fundão. Ao colo do pai está a sua irmã Maria das Dores.

Só voltará novamente a Aveiro em 1937, onde será recebido por tias do lado materno.

28 ANOS DE SAUDADE (Juventude)

A sua infância reparte-se entre Aveiro, Angola, Moçambique, Belmonte e Coimbra, devido às sucessivas deslocações profissionais do pai.



Em África, a relação física com a natureza causou-lhe uma profunda ligação ao continente africano, que se reflectirá pela sua vida fora. As trovoadas de Angola, as florestas e os grandes rios atravessados em jangadas escondiam-lhe a realidade colonial.
"(...) a África era uma coisa imensa, uma natureza inacessível que não tinha fim, contactos com fenómenos da natureza extremamente prepotentes como eram as grandes trovoadas, os gafanhotos, florestas, travessias de rios em barcaças, etc., etc. Estive em Luanda onde creio que iniciei a 1ª classe."

Recorda ainda Moçambique (Lourenço Marques 1937 - 1938) ...
"Aos oito anos regresso a África. Agora é Moçambique, não é Angola. Pouco tempo ali estou mas é de novo o paraíso. Somos eu, o meu irmão e a minha irmã... Também nesse tempo vamos com a família à África do Sul e vemos feras em liberdade... Eu sonhava nunca mais abandonar aquela terra". 

E África deixa em algumas das suas canções, uma sonoridade africana e quem sabe, cheiro também! Ao escutarmos "Galinhas do mato", somos transportados para a terra dos embondeiros, dançando livremente como de pés nús perante a vida.


De Moçambique vem para Belmonte. Estamos em 1938 e ele com apenas 9 anos. Como ele dizia: "uma terra horrível".
"De Moçambique vim para Belmonte onde um tio meu era Presidente da Câmara, comandante da Legião!... Homem valsante; gostava muito de valsar e de dançar o tango (...). Uma terra horrível. Um período fechado. Privado de contactos. Eu não podia sequer dar-me com os meninos da vila. Fiz ali a 4ª classe. (...) o pior ano da minha vida.""Ouço noites seguidas daquele meu quarto as notícias captadas pelo meu tio que era de facto a ameaça germânica - 'Londres comme Cartago sera détruite!' "

E também guardou na memória o Professor Tavares. Esse homem...
“… que gostaria de ver porque era um indivíduo sério”; e os jogos populares (canicho e bilharda) em que não participava por ser “sobrinho do senhor doutor”.


Em 1940, vai para Coimbra, ao cuidado de uma tia paterna, a tia Avrilete, matriculando-se no liceu D. João III, onde começa a cantar. Tem na altura 11 anos.
Por volta de 1945, começa a cantar serenatas. 
"Naquela altura qualquer tipo que tivesse um bocado de voz, mesmo pouca ou nenhuma, era imediatamente agregado para aquele grupo de serenatas. Havia também um mecanismo muito interessante, não sei se vinha da burguesia ou da nobreza, através do qual um tipo convidava um amigo que sabia cantar quando estava interessado em alguma rapariga que se encontrava sob reserva em qualquer "lar""
Em Coimbra, passa pelas Repúblicas onde conheceu a amizade e a farra académica. 
"O liceu é a dois passos... (...). Há lá uma ladeira e ao cimo da ladeira era a casa da tia Avrilete, um segundo andar. O ambiente era muito conservador: mulheres de escapulário ao pescoço. Proibições... Por baixo vivia uma outra família e por baixo ainda era a mercearia do Sr. Santos".
"Quando havia trovoada a minha tia dizia o magnificat com voz de sibila, aliás, as três mulheres, (...) diziam todas as três o magnificat em três pontos diferentes da sala, cada uma no seu tom".
"(...) tanto ia aos 'Cágados' onde comia ovos à uma da manhã, como passava pelos 'Galifões' ou pelos 'Corsários das Ilhas'. Os 'Cágados' ficavam perto da minha casa, quando vivia no Beco da Carqueja. A parte de trás dava mesmo para o Quebra Costas e para o Gil, (...). Também conheci muita malta da 'Prá-quis-tão' e tive um convívio bastante estreito com os tipos do ´Palácio da Loucura'. De um modo geral convivi com a 'Ai-Ó-Linda' e dava-me muito com o Lobão dos 'Corsários das Ilhas', (...)"
Seduzido pela cidade, tem os primeiros contactos com clubes recreativos, joga futebol na Académica e acompanha a equipa um pouco por toda a parte.
Nas coletividades conhece "gajos populares", entre os quais Flávio Rodrigues, que admira como exímio tocador de guitarra. Inicia-se em serenatas e canta em "festarolas de aldeia".

28 ANOS DE SAUDADE


"Havia uma sociedade de indivíduos que viviam na Alta ou na Baixa economicamente depauperados: barbeiros, merceeiros, profissões dependentes do estudante. Recordo-me que as criadas viviam num estado de fome permanente nas férias grandes e começavam a comer quando os estudantes regressavam. (...). Lembro-me do estatuto de estudante que era, apesar de tudo, compatível com uma certa compreensão humana da situação dessa gente. Esta visão sentimental do que eram as desigualdades sociais motivou uma certa transformação em mim. A visão poético-estudantil em que eu me considerava um herói de capa e batina, um cavaleiro andante, desapareceu ou foi desaparecendo com o tempo e à medida que fui vivendo numa situação económica extremamente difícil com os meus dois filhos no Beco da Carqueja".
                                                                                                          José Afonso


Em janeiro de 1953, nasce-lhe o primeiro filho João e um ano depois uma filha, Helena. Durante este período difícil estuda e trabalha para sustentar a família. Em 1963, conclui o curso na Faculdade de Letras de Coimbra.
De 1957 a julho de 1967, é professor em diversas escolas, nomeadamente em Mangualde, Lagos, Aljustrel, Faro, Alcobaça, Beira (Moçambique) e Setúbal. Enquanto isso, vai arranjando espaço para actuações diversas, nomeadamente em Paris e Genebra, e consegue ir editando alguns discos.
De 1960 a 1961 segue atentamente a crise estudantil.
Em 1963, realiza digressões pela Suiça, Alemanha e Suécia, integrado num grupo de fados e guitarras, na companhia de Adriano Correia de Oliveira, José Niza, Jorge Godinho, Durval Moreirinhas e ainda da fadista lisboeta Esmeralda Amoedo.


Upsala, Suécia - 1963

Em Maio de 1964, actua em Grândola e é aqui que se inspira para fazer a canção «Grândola, Vila Morena», que viria a ser no dia 25 de abril de 1974, a senha do Movimento das Forças Armadas para o derrube do regime ditatorial.
Em 1968, é expulso do ensino e dedica-se a dar explicações e a cantar com mais assiduidade na margem sul. Em 1969, põe-se ao lado do movimento sindicalista assim como nas acções dos estudantes de Coimbra contra o regime de Marcelo Caetano.
A partir daqui surgem diversos álbuns como: «Traz outro amigo também», «Cantigas de maio», «Eu vou ser como a toupeira».


Em abril de 1973, é preso pela PIDE e fica 20 dias em Caxias, até maio.
"A última vez que fui preso tinha ido esperar o meu pai ao aeroporto. Vim para casa, dormi mal e no dia seguinte bateram à porta. Estávamos em Abril de 1973. O meu filho Zé Manel foi abrir. O inspector apresentou-lhe o 'crachat' da polícia e ele voltou-se displicentemente para a sala a dizer 'oh pai é a prestimosa'. O tipo entrou, fizeram a vasculhação e levaram-me para Caxias."
                                                                                                           José Afonso

Na prisão escreve o poema «Era um redondo vocábulo». No natal publica o álbum «Venham mais cinco» com José Mário Branco.
A 29 de março de 1974, o Coliseu em Lisboa enche-se para ouvir José Afonso, Adriano Correia de Oliveira, José Jorge Letria, Manuel Freire, José Barata Moura, Fernando Tordo e outros, que terminam a sessão com "Grândola Vila Morena".
Os militares do MFA estão entre a assistência e escolhem "Grândola" para senha da revolução.
Um mês depois dá-se o 25 de abril.

"Não me arrependo de nada do que fiz. Mais: eu sou aquilo que fiz. Embora com reservas acreditava o suficiente no que estava a fazer, e isso é o que fica. Quando as pessoas param há como que um pacto implícito com o inimigo, tanto no campo político como no campo estético e cultural. E, por vezes, o inimigo somos nós próprios, a nossa própria consciência e os alibis de que nos servimos para justificar a modorra e o abandono dos campos de luta."
                                                                                                            José Afonso

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

Recordando o poeta ANTÓNIO GEDEÃO (1906 / 1997)


A 19 de fevereiro de 1997, o professor de Ciências Físico-Químicas e investigador Rómulo de Carvalho, que como poeta escreveu sob o pseudónimo de António Gedeão, deixa-nos mais pobres com a sua morte. 
Porém, continuam vivos os seus poemas que são uma simbiose perfeita entre a ciência e a poesia, a vida e o sonho, a lucidez e a esperança.
Pedra Filosofal e Lágrima de Preta são dois dos seus mais célebres poemas.


A "Pedra Filosofal", musicada por Manuel Freire, tornou-se um hino à liberdade e ao sonho. 


Em 1972, José Niza compõe doze músicas com base em poemas de Gedeão e produz o álbum "Fala do Homem Nascido". Neste álbum podemos descobrir "Estrela da manhã", "Fala do homem nascido", "Desencontro", "Tempo de poesia"e "Poema da Auto-estrada", entre muitos outros.

Poema da Auto-estrada
Voando vai para a praia
Leonor na estrada preta.
Vai na brasa, de lambreta.

Leva calções de pirata,
vermelho de alizarina,
modelando a coxa fina,
de impaciente nervura.
como guache lustroso,
amarelo de idantreno,
blusinha de terileno
desfraldada na cintura.

Fuge, fuge, Leonoreta:
Vai na brasa, de lambreta.

Agarrada ao companheiro
na volúpia da escapada
pincha no banco traseiro
em cada volta da estrada.
Grita de medo fingido,
que o receio não é com ela,
mas por amor e cautela
abraça-o pela cintura.
Vai ditosa e bem segura.

Com um rasgão na paisagem
corta a lambreta afiada,
engole as bermas da estrada
e a rumorosa folhagem.
Urrando, estremece a terra,
bramir de rinoceronte,
enfia pelo horizonte
como um punhal que se enterra.
Tudo foge à sua volta,
o céu, as nuvens, as casas,
e com os bramidos que solta,
lembra um demónio com asas.

Na confusão dos sentidos
já nem percebe Leonor
se o que lhe chega aos ouvidos
são ecos de amor perdidos
se os rugidos do motor.

Fuge, fuge, Leonoreta
Vai na brasa, de lambreta.

Poesias Completas



Podemos ainda destacar dois outros poemas: o "Poema para Galileu" (assinalando o quarto centenário do nascimento de Galileu Galilei) e o "Soneto" (a Luiz Vaz).

HOJE COMEÇA O ANO NOVO CHINÊS - ANO DA CABRA


O ano 4713, segundo o calendário chinês, começa hoje, dia 19 de fevereiro de 2015. Mais conhecido pela "Festa da Primavera" ou "Ano Novo Lunar", é a festividade tradicional mais importante do calendário chinês. Este ano será o ano da cabra.
Baseado no calendário lunisolar, as celebrações começam no primeiro dia do primeiro mês lunar e termina no dia quinze, quando se celebra o "Festival dos faróis". Durante este período, acontece a maior migração humana do planeta, o "movimento da primavera", com milhões de pessoas a viajar para os seus lugares de origem, para celebrar com as suas famílias.
O ano novo chinês, não é fixo. Ele surge sempre no dia da lua nova mais próximo ao dia equidistante entre o solstício de inverno e o equinócio da primavera, do hemisfério norte.
Os chineses relacionam cada novo ano a um dos doze animais que terão aparecido ao chamamento de Buda, para uma reunião. Apenas doze animais se apresentaram na referida reunião. Buda, em reconhecimento das suas presenças, tê-los-à transformado nos signos da astrologia chinesa.
Os doze animais do horóscopo chinês, a que correspondem os anos chineses, são, de acordo com a ordem com que se teriam apresentado a Buda: rato, búfalo, tigre, coelho, dragão, serpente, cavalo, cabra, macaco, galo, cão e porco.


Por tradição, a cor utilizada na passagem do ano, é o vermelho. Os chineses acreditam que a cor vermelha afugenta os espíritos e a má sorte. Por outro lado, é a cor da sorte (fortuna).
Quando o relógio marca meia noite, todos comem um bolinho chinês cozido chamado "guioza". Os mais velhos oferecem aos mais novos e solteiros, um envelope vermelho com dinheiro, que por superstição não deve ser aberto na frente de quem o oferece.
Quanto ao ano da cabra, saiba-se que nenhum chinês quer ter um filho neste ano. Porquê? Simplesmente porque, sendo a cabra um animal submisso e que só serve para abate, as crianças nascidas neste ano, crescerão para serem seguidores e nunca líderes. Por outro lado, estão também destinadas à desilusão, a casamentos fracassados e má sorte nos negócios.

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

ANTÓNIO ALEIXO - poeta popular


Faz hoje 116 anos que nasceu António Aleixo, um dos poetas populares de maior relevo. Nasceu às 4 horas da manhã do dia 18 de fevereiro de 1899, em Vila Real de Santo António.
Famoso pela sua ironia e pela crítica social sempre presente nos seus versos, António Aleixo é também reconhecido pela sua simplicidade, humildade e sobretudo por sido um semi-analfabeto.
Viveu uma vida cheia de pobreza, mudanças constantes de emprego, emigração, tragédias familiares e doenças. Muito embora não seja um revoltado, António Aleixo escreve com um tom dorido. É a chaga aberta de um sofrimento íntimo, provocado por certas injustiças. É o homem que tem mulher e filhos a sustentar com o mísero ganho de meia dúzia de cautelas por semana, e vê, todos os dias ir morrendo, sem possibilidade de assistência cuidada, uma filha tuberculosa.
Do seu percurso de vida, fazem parte profissões como tecelão, guarda de polícia, servente de pedreiro (como emigrante em  França), guardador de rebanhos, cantor popular de feira em feira e finalmente cauteleiro. Chegou a ser chamado de "poeta-cauteleiro"
Mas neste homem simples, havia sempre o perfil de uma personalidade rica, vincada e conhecedora das diversas realidades da cultura e sociedade do seu tempo.
Escreveu sempre usando a métrica mais comum na língua portuguesa (heptassílabos, em pequenas composições de quatro versos, conhecidas como "quadras" ou "trovas") e, até à hora da sua morte, nunca teve a preocupação de registar as suas composições.
Morreu, com 50 anos, no dia 16 de novembro de 1949, vítima de tuberculose.

Ficam aqui algumas quadras bem conhecidas de todos nós.

Há tantos burros mandando
Em homens de inteligência
Que ás vezes fico pensando
Que a burrice é uma ciência.


Sei que pareço um ladrão
Mas há muitos que eu conheço
Que sem parecer o que são
São aquilo que eu pareço


Tu que tanto prometeste
Enquanto nada podias
Hoje que podes, esqueceste
Tudo quanto prometias


Prometem ao Zé povinho
Liberdade, lar e pão
Como se o mundo inteirinho
Não soubesse o que eles são.




sábado, 14 de fevereiro de 2015

Cartas de amor de Napoleão, Pessoa e Ofélia

Carta de amor de Napoleão a Josefina (19.5.1796)
"Meu amor, não sei por que, desde esta manhã, estou mais contente. Tenho um presentimento de que partiste para cá. Essa idéa enche-me de alegria. Se passares pelo Piemonte, o caminho é muito melhor e mais curto. Virás a Milão, onde ficarás muito contente, porque esta região é muito bonita. Quanto a mim, isso me fará tão feliz que sou capaz de enlouquecer. Estou ansioso por ver como trazes as crianças. Deves ter um ar majestoso e respeitavel, sem duvida muito gracioso. Toma cuidado para que não fiques doente. Não, minha boa amiga, virás para aqui e passarás muito bem. Terás uma criancinha linda como a mãe e que te amará como o pae; e, quando fores velha, quando tiveres cem annos, ella será o teu consolo e a tua felicidade. Mas, de agora até que ella chegue, não ames senão a mim. Começo, já, a ter ciumes.
Adeus, "mio dolce amor"; adeus, "la bien-aimée". Vem logo ouvir a linda musica e ver a bella Italia. Só lhe falta que a vejas. Tu a embellezarás aos meus olhos, porque tu sabes que, quando a minha Josephina está em qualquer lugar, não vejo senão a ella."

Carta de amor de Fernando Pessoa a Ofélia (24.3.1920)
" Meu querido amorzinho
Hoje tenho tido immenso que fazer, quer fóra do escriptorio, quer aqui mesmo.
Vão só duas linhas, para te provar que te não esqueço - como se fôsse muito facil eu esquecer-te!
Olha: mudo de Benfica para a Estrella no dia 29 d'este mez de manhã; estive agora mesmo a combinar a mudança. Isto quer dizer que no domingo que vem nos não veremos, pois passarei o dia lá em Benfica a arrumar tudo, pois não é natural que tenha tempo para o fazer durante a semana.
Estou cansadíssimo, e ainda tenho bastante de que tratar hoje. São 5 horas e meia, segundo me diz o Osório.
Desculpa-me eu não te escrever mais, sim? Amanhã, á hora do costume nos encontraremos e fallaremos.
Adeus, amor pequenininho.
Muitos e muitos beijos do teu, sempre teu
Fernando
24.3.1920"

Resposta de Ofélia a Fernando Pessoa 
" Meu Fernandinho lindo
Tu vais perdoar o teu bebezinho escrever-te hoje a lápis, mas é-me impossível fazê-lo a tinta, e como de forma alguma queria deixar de te escrever e já passa da meia-noite não posso esperar para mais tarde porque já tenho muito soninho. E o meu querido amor, já está deitadinho? Não calculas como tenho estado hoje satisfeita! Até tenho comido melhor. Vês o que faz eu gostar tanto tanto de ti! Com que então no domingo condenas-me a não ter a alegria de te ver! Paciência. Saio com a minha irmã. Mas apesar de me não veres pensarás muito em mim? Deus queira que sim? Estás então muito cansadinho de trabalhares tanto! Coitadinho do meu amorzinho que tem tido tanta maçada por causa da casa, mas também depois descansas. 
Eu hoje ainda não falei com a minha irmã nada a nosso respeito, falo amanhã. Eu então sou amorzinho pequenino? mas olha que o meu amor por ti é bem grandinho ...
Disseste-me hoje que se eu estava habituada e gostava de divertimentos que tinha escolhido mal o homem. Mas diz meu amor, que maior divertimentos aspiro eu que não seja estar junto de ti? Viver contigo e sermos muito muito amiguinhos?! (como havemos de sê-lo). Desejosa estou eu por tão grande felicidade! Não te esqueças do retrato <<Nininho>>. Não me faças esperar muito! Amanhã lá nos encontraremos no nosso ponto de encontro. 
Mostrei o meiguinho a minha mãe, achou muita piada (...)
Adeus e nunca, nunca te esqueças do teu bebezinho, não? 
Agradeço muito os teus beijinhos - e envio-te milhares deles na impossibilidade de o fazer pessoalmente, temos que nos limitarmos a transmiti-los desta forma.
Sou e serei sempre muito tua amiguinha.
Ofélia Queiróz

Oh! Como eu queria riscar da minha vida todo o tempo que não passo junto de ti.

24-3-920 - Meia noite e meia hora"

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015

Um nome para cada sala


Sala Camões
...

É proposta da Biblioteca batizar as salas da secundária com nomes de figuras de destaque no campo das letras, das artes, das ciências, da política...

Pretende-se colocar, à entrada, uma placa com:
  • nome e foto da personalidade
  • datas de nascimento e morte (se for o caso)
  • brevíssima biografia (o que notabilizou o eleito)

Solicita-se e agradece-se o V. valioso contributo dos membros da comunidade escolar

​Fazer proposta AQUI​.



"O BEIJO" (1907 / 1908) de Gustav KLIMT


Que melhor momento, senão a aproximação ao "Dia dos namorados", para falar deste quadro, "O Beijo", do pintor austríaco Klimt, que mistura o Simbolismo com a Art Nouveau.
Esta obra-prima é uma festa reluzente de erotismo e beleza. 
O quadro tem um brilho sensual do mozaico bizantino. Um homem, envolvido num manto dourado e ricamente trabalhado, inclina-se para beijar uma mulher que está de joelhos. Dos dois, vemos apenas os rostos e as mãos, além dos pés flexionados da mulher. Tudo o resto é uma opulenta cascata de ouro ricamente encrostada com ametistas, safiras, rubis, opalas e esmeraldas. Por baixo deles estende-se um leito de pétalas.
As flores e os arbustos que formam uma cama na pintura, são os únicos elementos que parecem ligar estes apaixonados ao mundo real. O próprio Klimt cultivava flores e plantas, usando-as constantemente como elemento nas suas obras. As plantas douradas do quadro, que contornam os pés da mulher, são conhecidas como ervas de Parnaso, um antigo símbolo da fertilidade. 
Outro elemento recorrente nas obras de Klimt, são as ruivas. Alguns críticos de arte, afirmam que o casal são o próprio Klimt e a sua musa, Emilie Floge.
Este quadro encontra-se na Galeria Belvedere de Viena, na Áustria.


quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015

"QUERES NAMORAR COMIGO?" - livro para a infância


Era uma vez uma girafa com um pescoço muito, muito comprido. A girafa vivia muito triste porque era tão alta que ninguém lhe chegava aos ouvidos para contar segredos. Até que, certo dia, um tímido caracol encheu-se de coragem e trepou por ela acima. Às suas cavalitas, encostadinho ao ouvido, disse-lhe baixinho:
- Quando estou dentro de mim, penso em ti!
- Queres namorar comigo?
A girafa ficou pequenina de vergonha. É que namorar é um segredo muito importante. O caracol estava perdidamente apaixonado pela girafa. A diferença de altura não o desencorajou. Mas será que ele consegue chegar ao coração da amada? O amor, afinal de contas, tem o dom de trocar as voltas - e os tamanhos - às coisas.
Em «Queres namorar comigo?», o ator e autor João Ricardo, recria a ternura e a inocência da linguagem da infância, recorrendo a um humor bastante invulgar, particularmente tratando-se de um livro infantil. Com muita comicidade, demonstra que os afectos podem ser deliciosamente ridículos.
Quanto à ilustradora, Ana Sofia Gonçalves, dá forma ao romance improvável. Torna-se quase infrutífero tentar descrever por palavras as ilustrações. Ana Sofia Gonçalves revela um imaginário doce, sarapintado de pormenores encantadores, como um estendal com cuecas e peúgas colocado na casinha do caracol ou sinalética tosca com uma tabuleta a dizer em letras garrafais «SIM» – tudo isto através da técnica de sobreposição de colagens e desenhos.
Vale a pena ler, neste dia dos namorados e em todos os outros

Todas as cartas de amor...


UM EXEMPLO DE ROBÓTICA: O SPOT

É da Google a empresa que tem revolucionado a ciência da robótica.
A Boston Dynamics acaba de divulgar um projeto com o qual tem trabalhado, que é nem mais nem menos que um robô elétrico denominado Spot. Este robô tem uma série de sensores em si integrados, fazendo dele um excelente "atleta", que pode andar e correr sobre diferentes relevos, mesmo os mais acidentados.
Em baixo, podes ver o Spot a funcionar e a resposta que o mesmo dá quando sujeito a empurrões.
Se quiseres ver mais vídeos de outros robôs desta incrível empresa, mesmo humanoides ou pequenos artefactos, podes aceder ao canal YouTube da Boston Dynamics em http://goo.gl/9iwUm6.



quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015

24 fevereiro - SESSÃO INFORMATIVA PARA PAIS



As cinco versões de "O GRITO" de Edvard MUNCH



Tristezas, obsessões e frustrações pessoais ganham formas e cores em angustiantes representações, nas telas do pintor expressionista e norueguês Edvard Munch (1863 - 1944).
           

Van Gogh, com as suas técnicas e cores extraordinárias, foi um dos grandes inspiradores para os pintores expressionistas. No expressionismo, a subjetividade ganha contornos dramáticos nas pinceladas, os sentimentos ganham nova plasticidade. O amor, o medo, a solidão, o abandono, entre outros flagelos da humanidade são (re)significados sob a estética da dor e dão a noção exata de que, neste movimento, os valores emocionais sobrepõem-se aos intelectuais.
As telas de Munch foram o espaço para a manifestação das suas dores e das suas emoções. "O GRITO", famosa obra deste pintor, pintada quando tinha apenas 30 anos, é parte de uma série de 4 pinturas, e a fonte de inspiração da obra pode ser a vida pessoal do próprio pintor, educado por um pai controlador com quem teve de lidar, ainda enquanto criança, e com a morte da mãe e da irmã a que infelizmente assistiu quando tinha apenas 5 anos.
Além de todo o drama que viveu enquanto jovem, teve uma relação conflituosa com o pai e viveu uma relação com uma mulher casada que lhe trouxe mais mágoa e desespero. Teve ainda que viver com uma irmã doente mental.
No "O GRITO", ele expressou o seu inferno interior e o mal-estar que a loucura representava no seu dia a dia. O quadro representa uma pessoa num momento de profunda angústia e desespero existencial.

“Passeava com dois amigos ao pôr do sol quando
o céu ficou de súbito vermelho-sangue.
Eu parei, exausto, e inclinei-me sobre a vedação.
Havia sangue e línguas de fogo
sobre o azul-escuro do fiorde e sobre a cidade.
Os meus amigos continuaram,
mas eu fiquei ali a tremer de ansiedade
e senti o grito infinito da Natureza.”

Edvard Munch

EdvardMunch-TheScream-1893.jpg

Esta é a versão mais conhecida, pintada em 1893 em óleo e pastel sobre cartão. 
A imagem que aparece como plano de fundo é a doca de Oslofjord, em Oslo, ao pôr do sol. 
Vemos ao fundo um sol de cores quentes, em oposição ao rio azul, cor fria, que sobe no horizonte. Vemos que a figura humana também está em cores frias, como a cor da angústia e da dor, sem cabelo para mostrar um estado de saúde precário. Os elementos descritos estão tortos, à excepção da ponte e das duas figuras que estão do lado esquerdo. Tudo tremeu com o grito.                 
Esta obra encontra-se na Galeria Nacional de Oslo. 

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.
Versão que também data de 1893, feita a lápis, e que também se encontra na Galeria Nacional de Oslo

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Executada em têmpera sobre cartão, em 1910, esta versão podia ser vista na Galeria Nacional de Oslo até 2004, quando foi roubada. Recuperada em 2006, a obra apresenta danos irreparáveis.

Edvard_Munch_le-cri-1895.jpg

Versão de 1895, feita em pastel sobre cartão, pertencia a uma coleção particular e em maio de 2012 foi vendida em leilão por mais de 91 milhões de euros.

Munch_The_Scream_lithography.gif

Edvard Munch criou também esta litografia em 1900. A base feita de pedra foi destruída .

terça-feira, 10 de fevereiro de 2015

A "LITERATURA" na boca do escritor VALTER HUGO MÃE

        Valter Hugo Mãe escreveu o prefácio da obra de Saint-Exupéry, "O PRINCIPEZINHO", publicada pela Porto Editora e que pretende respeitar a versão original de 1943.
                              


E escreve ele:
"A literatura, sabemos bem, é uma disciplina da saúde. Claramente do universo da profilaxia, a literatura faz parte da nutrição, implica com as vitaminas, com o magnésio, o ferro, tem que ver com a robustez cardíaca. Alguns livros, defendo muito, são produtos de farmácia, deviam ser receitados nos hospitais e trazer bulas detalhadas que responsabilizassem os cidadãos para a urgência de ler. O mundo dos livros, no mínimo, tem de ser visto com o cuidado preocupadíssimo com que lidamos com a frescura dos legumes, o prazo dos iogurtes ou o comportamento dos ovos numa taça de água. Quem acha que vive bem das tensões, do colesterol ou da diabetes sem livros está enganado."

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015

Livraria LELLO é a mais "cool" do mundo para a Time

A revista Time escolheu as 15 livrarias mais "cool" do mundo e a portuense Lello & Irmão é a primeira da lista.


"Diz-se que J. K. Rowling se inspirou na livraria Lello enquanto escrevia Harry Potter (e ensinava inglês) em Portugal. Não é preciso muito tempo para se perceber o potencial da Lello como musa inspiradora".
Assim começa o artigo em que a revista Time partilha com o mundo as 15 livrarias mais "cool" do globo terrestre, com a portuense Lello & Irmão no topo.


Fundada em 1906, no dia 13 de janeiro, esta livraria também conhecida por Livraria Chardron, situa-se na rua das Carmelitas.
Pode ainda ler-se no artigo da Times: "A fachada neogótica desta livraria antiga não transparece a opulência interior: madeira talhada, colunas douradas, tetos ornamentados, e uma escada vermelha deslumbrante iluminada por um vitral. a livraria centenária  apresenta mais de 100 mil títulos diferentes em várias línguas, incluindo traduções para inglês de talentos portugueses como Fernando Pessoa e José Saramago. Também vai encontrar revistas, CD´s, livros antigos, e uma grande variedade de publicações sobre o próprio Porto"


Segue a lista das 15 livrarias premiadas:
1. Livraria Lello e Irmão, Porto
 2. Barter Books, Inglaterra 3. Powerhouse Arena, Brooklin 4. Cafebrería El Péndulo, Cidade do México 5. Shakespeare and Co., Paris 6. Books for Cooks, Melbourne 7. Bart’s Books, Ojai, Califórnia 8. Dominicanen Bookstore, Maastricht, Holanda 9. Book Lounge, Cidade do Cabo 10. El Ateneo Grand Splendid, Buenos Aires 11. The Last Bookstore, Los Angeles 12. Libreria Acqua Alta, Veneza 13. Librairie Avant-Garde, Nanjing, China 14. The Academic Bookstore, Helsínquia, Finlândia 15. Stanfords, Londres

Não te esqueças de a visitar.

domingo, 8 de fevereiro de 2015

Que quadro famoso inspirou a capa d'A BOLA de hoje?



Quadro de Gauguin é a pintura mais cara de sempre


A pintura «Nafea Faa Ipoipo» terá sido adquirida pela Autoridade de Museus do Qatar. A venda, em leilão, supera em 50 milhões de dólares o quadro «Os Jogadores de Cartas» de Cezánne, que estava em primeiro lugar na lista das obras mais caras de sempre. Fonte: Aqui
«Nafea Faa Ipoipo», quadro a óleo de Paul Gauguin,
foi comprado por 300 milhões de dólares (263 milhões de euros)
e converteu-se na obra de arte mais cara da história.


O anterior record pertencia a este quadro:

«Os Jogadores de Cartas», de Cézanne

sábado, 7 de fevereiro de 2015

8 de fevereiro - Nascimento do escritor Júlio Verne



Aprendemos a crescer e a viajar no Nautilus, a sonhar com o Capitão Nemo, a participar nos feitos de Robur, o Conquistador, a embarcar no Albatroz rumo ao futuro da Humanidade. As máquinas de Júlio Verne fascinaram várias gerações e estão na origem de numerosos engenheiros. O fascínio pela ciência, pelas mais recônditas paragens da Terra e da Lua fizeram deste vulto da literatura mundial, um verdadeiro inventor, um intrépido argonauta e um profeta do século XIX.

                                                    O Nautilus
O Albatroz

Jules Gabriel Verne (Júlio Verne) nasceu em Nantes (Bretanha - França) a 8 de fevereiro de 1828.
Desde menino que em Nantes sonhava subir aos mastros dos navios ancorados no rio Loire e viajar agarrado a eles. Aos 12 anos trocou de lugar com um adolescente para ir como grumete a bordo do Coralie, um cargueiro à vela que ia para as Bermudas e que estava atracado no porto. Foi descoberto e mandado para casa.
Em 1848 ruma a Paris e aí conhece personalidades importantes da cultura francesa, como Victor Hugo e Alexandre Dumas Filho.
Aos 23 anos escreve o seu primeiro conto de ficção científica "Uma Viagem em Balão". Conheceu o fotógrafo Félix Nadar, um apaixonado pelo balonismo que lhe apresenta Pierre-Jules Hetzel, um editor e autor que demonstra interesse em publicar a obra "Cinco Semanas em Balão".
Procedendo a uma investigação metódica e rigorosa, Verne começou a escrever romances, geralmente de ficção científica, bastante convincentes e realistas. Em "Viagem ao Centro da Terra" descrevia uma expedição científica ao núcleo terrestre, antecipando um sonho de muitos investigadores. O mesmo aconteceu com "Da Terra à Lua".
O carácter visionário da obra de Verne pode também ser visto em obras como "A Ilha Misteriosa" e "Vinte Mil Léguas Submarinas", romance em que o carismático Capitão Nemo profetizava a pirataria submarina alemã da Segunda Guerra Mundial.
Este gosto pelo mar leva-o a adquirir uma pequena embarcação de pesca a que dá o nome do seu filho Michel, acrescentando "Saint-Michel".
Vai acabar o resto dos seus dias em Amiens, onde morre no dia 24 de março de 1905, agarrado ao seu livro de sonho "Vinte mil léguas submarinas".
São ainda escritas por si, as obras: "A Volta ao Mundo em 80 Dias", "Miguel Strogoff", "Os Filhos do Capitão Grant", ... .

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015

6 de fevereiro de 1412 - Nascimento de Santa Joana, Princesa de Portugal e Senhora de Aveiro

                                             


D. Joana de Portugal, mais conhecida por Santa Joana Princesa, nasceu em Lisboa no dia 6 de fevereiro de 1412.
Foi uma princesa portuguesa da Casa de Avis, filha de D. Afonso V (O Africano) e da sua primeira mulher, a rainha D. Isabel de Aragão (também conhecida por D. Isabel de Coimbra).
Chegou a ser jurada Princesa Herdeira da Coroa de Portugal, título que manteve até ao nascimento do seu irmão, o futuro rei D. João II (Príncipe Perfeito). 
Começa por perder a sua mãe quando tinha 3 anos e 10 meses. Ela e o seu irmão são entregues aos cuidados da sua tia (irmã da mãe), a Infanta Dona Filipa de Lencastre.
Desde muito cedo mostrou tendência para a vida religiosa, apesar de não lhe faltarem pretendentes (filho de Luís XI, rei de França, filho do Imperador Frederico III e Ricardo III, rei de Inglaterra). Recusou todas as propostas para poder ir para o Convento de Jesus em Aveiro. Nunca chegou a professar votos de freira dominicana por ser princesa real e potencial herdeira do trono.
Em 1479, a peste negra (peste bubónica) chega a Aveiro e o rei, seu pai, retira-a do convento para a enviar para a vila de Avis e, posteriormente, para a vila de Abrantes. Onze meses depois regressará de novo ao convento.
Em 1481 morre o rei, seu pai, tendo sido aclamado o seu irmão D. João II. 
Ela permanecerá neste Convento de Jesus até à data da sua morte, dia 12 de maio de 1490. Tinha 38 anos.
Pelas suas virtudes, o povo começou a considerá-la santa, culto que já tinha em vida. No ano de 1626 (136 depois da sua morte) começou o processo da sua beatificação com a abertura do seu túmulo, onde, para surpresa de todos, o "corpo parecia ter sido depositado naquela hora". 
Acaba por ser canonizada a 4 de abril de 1693, pelo Papa Inocêncio XII.
Será D. Pedro II quem mandará fazer um sumptuoso mausoléu de jaspe finíssimo, lavrado com variedades de embutidos, que se encontra no museu de Aveiro

terça-feira, 3 de fevereiro de 2015

CONCURSO LITERÁRIO "JOÃO GRAVE"



A Câmara Municipal de Vagos e a Rede de Bibliotecas de Vagos, como entidades promotoras deste concurso literário, pretendem, mais uma vez, proporcionar a toda a população escolar do Concelho de Vagos, a sua participação.
Os trabalhos deverão ser entregues até ao dia 17 de abril de 2015.
Consulta o regulamento aqui disponível

Regulamento do concurso:



4 de fevereiro - Almeida Garrett nasceu há 216 anos



João Baptista da Silva Leitão, mais conhecido por Almeida Garrett, nasceu a 4 de fevereiro, numa casa da velha zona ribeirinha do Porto. Foi escritor e dramaturgo romântico, ministro e secretário de estado, entre muitas outras atividades exercidas, tais como impulsionador do teatro.
Filho de uma família burguesa, repartiu a sua infância pela Quinta do Castelo e a do Sardão, ambas ao sul do Douro, concelho de Gaia. Antes que as tropas de Soult entrassem no Porto, parte para os Açores onde, na Ilha Terceira, passa parte da sua adolescência.
A partir de 1816, matricula-se na universidade de Coimbra, onde lê os primeiros românticos. Dois anos depois começa então a fazer uso dos apelidos Almeida Garrett. Jovem bacharel e liberal maçónico, participa na revolução vintista como poeta e dramaturgo mas também como dirigente estudantil e orador, por entre atividades clandestinas. É preso em Lisboa e parte exilado para Inglaterra.
Entre 1824 e 1826 passa várias vezes por Londres e Paris, muitas vezes desempregado e sem recursos. Contacta então com a literatura romântica (Byron, Lamartine, Victor Hugo, Schlegel, Walter Scott, Mme Stael) e redescobre Shakespeare. Só regressa a Portugal depois da morte de D. João VI. Com a entrada de D. Miguel volta a exilar-se e vive à míngua.
Em 1832 regressa à Ilha Terceira, incorpora-se no exército liberal e participa no desembarque em Mindelo. Escreve, durante o cerco do Porto, o romance "Arco de Santana". Dois anos depois vai para Bruxelas, numa espécie de terceiro exílio, onde contacta com a língua e literatura alemãs (Herder, Schiller e Goethe). Em 1836, regressa a Lisboa entrega-se ao teatro e é aqui que escreve, entre muitas obras, "Frei Luís de Sousa". Dez anos depois escreve "Viagens na Minha Terra". Em 1953, escreve "Folhas Caídas", recebido com algum escândalo por acharem que a obra mantinha ecos de paixão pela Viscondessa da Luz.
Morre vítima de cancro generalizado com origem hepática, em Lisboa, a 9 de dezembro de 1854.



4 de fevereiro - Dia Mundial do Cancro 2015: "NOT BEYOND US"

Um evento verdadeiramente global que ocorre todos os anos no dia 4 de fevereiro, Dia Mundial do Cancro, une a população mundial na luta contra o cancro. Destina-se a salvar milhões de pessoas a cada ano, através da sensibilização e educação sobre a doença, e pressionar governos e indivíduos a agir.

Tendo lugar este ano, sob o slogan "Não está além de nós", o Dia Mundial do Cancro 2015 terá uma abordagem positiva e pró-ativa nesta luta, destacando que a sua cura está na prevenção, diagnóstico precoce, tratamentos e cuidados.
Atualmente esta epidemia mata por ano cerca de 8,2 milhões de pessoas, das quais 4 milhões morrem prematuramente. 
Se nada for feito, estima-se que, dentro de 30 anos, a mortalidade duplicará.



segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015

«Drawing» - artes visuais no Corredor das Artes

Está patente na Biblioteca / Corredor das Artes uma exposição de desenhos a carvão, intitulada "Drawing", realizada pelos alunos do 10º ano do curso de artes visuais, sob orientação do professor Albino Gomes. A visitar.
Em baixo, o cartaz e alguns dos trabalhos expostos.







70 Anos da libertação de Auschwitz

No dia 27 de janeiro, Dia Internacional do Holocausto, assinalou-se nesta biblioteca a passagem dos 70 anos da libertação do campo de concentração e extermínio de Auschwitz, pelos soldados soviéticos. Auschwitz foi uma rede de campos de morte construídos na Polónia ocupada pelo regime nazi, onde mais de 1,1 milhões de pessoas, a maioria judeus de toda a Europa, mas também opositores políticos, prisioneiros de guerra, homossexuais, testemunhas de Jeová, deficientes e ciganos foram mortos, em câmaras de gás, pelo venenoso e cáustico Zyklon B, fuzilados, em trabalhos forçados, por doenças ou em resultado de experiências médicas.
Para assinalar o dia, foi feita uma exposição onde se podia encontrar algumas cartas originais de presos, todas elas autenticadas com a cruz suástica, e ainda um outro documento censurado pelo mesmo e tenebroso regime. Além destes documentos, uma série de selos da Alemanha nazi e informações sobre Anne Frank, vítima do campo de Bergen. Entre as obras literárias a destacar, dois livros de Primo Levi: "Se isto é um homem" e "A trégua", "A lista de Schindler", de Thomas Keneally, e o "Diário de Anne Frank", entre outras. 
Até ao dia 4 de fevereiro, data marcada para o encerramento desta efeméride, há ainda uma série de filmes disponíveis para visualização neste espaço, entre os quais "O pianista", "A vida é bela", "O paciente inglês", "O resgate do soldado Ryan" e a "Lista de Schindler".







Comemoração do fim da II Guerra Mundial


A Tocha da Paz da FIR – Federação Internacional de Resistentes esteve na Escola Secundária de Vagos na passada sexta-feira. A tocha está em a Portugal a convite da URAP – União de Resistentes Antifascistas Portugueses – para integrar as comemorações dos 70 anos do final da II Guerra Mundial.

A primeira deslocação da tocha em Portugal ocorreu no Porto, a 29 de Janeiro, sendo Vagos a segunda paragem. Seguir-se-ão Peniche, Grândola, Moita, Loures, Alhandra (Vila Franca de Xira), Barreiro, Seixal, Setúbal, Almada e Lisboa, onde estará dia 12 de Fevereiro.

As comemorações do final da II Guerra Mundial já levaram a Tocha da Paz a vários países da Europa. O percurso iniciou-se na Bulgária, passando depois pela Macedónia, Hungria, Itália, Vaticano (tendo sido abençoada pelo Papa Francisco) e Israel. A tocha passará ainda por Espanha, Áustria, República Checa e Grécia. O itinerário terminará em Berlim no mês de maio (mês de rendição da Alemanha, em 1945)



Em simultâneo, decorreu no Auditório uma sessão para cerca de 70 alunos dos 9º e 12º anos sobre os valores da Resistência, da Liberdade, da Democracia e da Paz.
A sessão foi aberta pela professora Teresa Rodrigues, que apresentou o orador convidado, José Pedro Soares, membro da direcção da URAP e ex-preso da PIDE.



José Pedro Soares falou sobre sobre os temas acima enunciados e aludiu ás suas duras experiências na prisão de Peniche.



Igualmente no quadro dos 70 anos do fim da II Guerra Mundial, esteve patente na Biblioteca/Galeria das Artes, uma exposição alusiva ao acontecimento patrocinada pela URAP.



Give Peace a Chance!