sexta-feira, 21 de março de 2014

Porque hoje é dia mundial da poesia... II

A DOR QUE MINH’ALMA SENTE

MOTE ALHEIO

A dor que a minh' alma sente
não na sabe toda a gente.


VOLTAS

Que estranho caso de amor,
que desejado tormento,
que venho a ser avarento
das dores de minha dor!
Por me não tratar pior,
se se sabe ou se se sente,
não na digo a toda a gente.

Minha dor e causa dela
de ninguém ouso fiar,
que seria aventurar
a perder-me ou a perdê-la.
E pois só com padecê-la
a minha alma está contente,
não quero que a saiba a gente.


Ande no peito escondida,
dentro n'alma sepultada;
de mim só seja chorada,
de ninguém seja sentida.
Ou me mate ou me dê vida,
ou viva triste ou contente,
não ma saiba toda a gente.

LUÍS VAZ DE CAMÕES

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