quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

Uma aula especial




A Professora Madalena Santos, elemento da nossa Equipa Coordenadora, presenteou-nos com uma aula de Geografia, no dia 22 de Dezembro de 2008, no auditório da escola. Marcaram presença todos os elementos dos corpos docente e não docente, assim como alguns alunos, em representação de todos aqueles que dela receberam, ao longo de toda a sua carreira, as coordenadas da Geografia e ... não só!



A aula foi introduzida por uma intervenção do Coordenador do Departamento de Ciências Sociais e Humanas, professor Orlando Matias, que disse:



Lição do tempo

Apenas me resta o tempo todo do mundo do resto do meu tempo.
Vou ser breve na exposição, porque o tempo é a coisa mais preciosa que temos.


O tempo que por nós passou,
foi passado em grande parte dentro de paredes
em que a vida ia acontecendo e por nós passava.

O tempo foi-se escrevendo na tela
e cada momento tem cores mais vivas ou mais diluídas,
mas sempre cores.

Tão depressa o tempo passou
que não nos demos conta que o dia terminou.

Mas este terminus do tempo não é o fim do nosso tempo…

É antes o começo de um novo tempo.
É um tempo de outra esperança, de outras paredes, com outra gente.
De outras telas para pintar.

É sempre o tempo que nos espera.
É o tempo que nos une e nos mantém presentes.





A Professora Madalena começou, então, a sua aula:





Não fiz um power point
Não vou utilizar o projector
Escrevi algumas palavras
Com pouco engenho mas muito amor


Ensinei:

Latitude e longitude
Para fazer a localização
Perdi-me em mil palavras
Para fazer orientação

Que a Terra é redonda
Com paisagens diferenciadas
Montanhas, desertos, oceanos
E terras humanizadas

A África é um continente
Rico em matérias-primas
Onde há fome e doença
E os meninos não sabem rimas

Europa, velho mundo
Onde estamos num cantinho
Sejamos mais solidários
Para percorrer o mesmo caminho

Antártida, continente branco
Não o destruam por favor
Não transformem o gelo em água
Com tanto gás e tanto calor

Oceânia, muito distante
Aborígenes, calor escaldante
Ilhas do outro lado do mundo
Lugar do canguru saltitante

América, continente de contrastes
A Norte poder económico, poder militar
A Sul, conservem a Amazónia
Para o planeta continuar

Demos a volta ao mundo
Com asas e imaginação
Alguns aprenderam com gosto
E outros talvez não

Agradecer a toda a escola
É meu dever, minha obrigação
Concretizem todos os sonhos
Um Bom Natal, Paz no coração

Antes que o sol se afaste
E a falta de jeito se vá
Vou despedir-me de todos
Sejam felizes, é tudo para já.


Maria Madalena Pinho dos Santos


Em seguida, quisémos oferecer à nossa querida Professora Madalena Santos algo que contivesse uma lembrança de todos nós.
Foi uma tela, que todos assinámos, onde estava transcrito este lindo poema, da autoria da Professora Paula Guerreiro, que lho dedicou e o declamou perante ela e toda a assembleia:



Uma tela em branco

Uma tela em branco!
Não, não é o fim de um projecto de vida
É tão-somente um novo patamar,
A oportunidade para abraçares o desafio
E descobrires a vida que há para lá da tela.

Solta o espírito e deixa fluir,
Pinta rosas vermelhas e brancas,
Flores silvestres,
Perfumes diversos,
Crianças a jogar à bola,
Homens grandes de mão dada.
Pinta a esperança e o desânimo
A dor e a alegria,
Pinta um passarinho ferido
Mas também um melodioso trinado.

Pincela!
Mas mistura bem as cores,
A tela precisa de cor,
Pincela, Madalena.
Vais perceber que, afinal,
Não existe o lado de lá da tela!
Nem o lado de cá!
Apenas existe uma VIDA,
Uma tela, apenas.
Uma tela com nuances,
Uma vida feita de diferentes projectos,
Para cada um o momento certo.
Mistura as tintas, Madalena,
A tela anseia por novas cores!




Carpe diem, Madalena!

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